Na manhã da última segunda-feira, 6 de outubro, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, comunicou oficialmente sua renúncia ao cargo, apenas 27 dias após ter sido nomeado.
A saída repentina, confirmada pelo Palácio do Eliseu, marca a quinta troca de primeiro-ministro desde o início do segundo mandato do presidente Emmanuel Macron, em 2022, um sinal evidente da profunda instabilidade política que assola o governo francês.
Primeiro-ministro renuncia ao cargo após 27 dias
Lecornu, de 39 anos, havia sido convocado por Macron no início de setembro para tentar restaurar a governabilidade após a queda do gabinete do primeiro-ministro anterior, François Bayrou.
Com um histórico político ligado à direita e uma passagem notável pelo Ministério da Defesa, Lecornu era visto como uma figura leal ao presidente e experiente em tempos de crise.
Ainda assim, sua tentativa de formar uma coalizão de governo encontrou resistências intransponíveis entre os principais partidos da Assembleia Nacional.
Em discurso realizado pouco depois do anúncio, Lecornu afirmou que a composição do novo governo foi minada por disputas partidárias e interesses eleitorais.
“Estava disposto a fazer concessões, mas nenhum grupo político se mostrou disposto a ceder. Cada partido queria impor seu programa, mesmo às custas da estabilidade nacional”, declarou no pátio da sede do governo.
A raiz do impasse está na fragmentação política instaurada desde as eleições legislativas antecipadas de julho de 2024. O pleito, convocado por Macron após sua derrota nas eleições para o Parlamento Europeu, produziu uma Assembleia Nacional sem maioria clara.
O enfraquecimento do bloco presidencial e o avanço simultâneo da extrema direita e da esquerda tornaram praticamente impossível a construção de consensos para governar.
Crise econômica é um dos motivos para crise política que resultou na renuncia do primeiro-ministro
Além do impasse político, a França enfrenta uma grave crise econômica.
O país ostenta hoje uma das maiores dívidas públicas da União Europeia, com déficit fiscal crescente e dificuldade de aprovar medidas de austeridade, como o orçamento proposto por Bayrou e rejeitado pelo Parlamento.
Diante do novo vácuo de poder, Macron se vê diante de três caminhos: indicar um novo nome para ocupar o cago de primeiro-ministro, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, ou, em um cenário improvável, renunciar.
O presidente ainda não anunciou qual será sua escolha, mas a pressão de partidos opositores aumenta. Líderes da direita e da esquerda já pedem a dissolução da Assembleia ou até mesmo o impeachment presidencial. Até a solução, a crise permanece aberta.






