Desde que reassumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, Donald Trump intensificou sua ofensiva contra a imigração, transformando a pauta migratória em uma das bandeiras centrais de seu segundo mandato.
A cruzada tem como alvo principal comunidades latinas e árabes, que agora, mais do que nunca, vivem sob um clima crescente de medo e vigilância.
Diante da pressão constante do ICE, que é o o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA, muitos imigrantes, incluindo os brasileiros, têm recorrido à tecnologia para tentar escapar da repressão.
Entre as alternativas encontradas, aplicativos de celular que alertam sobre a presença de agentes em tempo real se tornaram ferramentas vitais para a sobrevivência de quem vive em situação irregular no país.
Aplicativos nos EUA alertam sobre onde estão agentes de imigração
As ações do ICE contra a imigração têm sido amplas e intensas. Agentes já realizaram batidas surpresa em comércios, buscando pegar pesoas fazendo compras desprevenidas; escolas, onde buscam por crianças latinas e sozinhas, ação que tem contado com a resistência de muitos professores; paradas de ônibus; e até igrejas.
As detenções ocorrem de forma muitas vezes arbitrária, sem distinção clara entre quem tem antecedentes criminais e quem está no país apenas por questões econômicas ou familiares.
Há casos documentados de pessoas sendo deportadas para países que não são os seus de origem, num processo marcado por falhas e denúncias de abusos.
Para justificar essas operações, o governo tem adotado uma estratégia de comunicação agressiva: nas redes sociais, a Casa Branca compartilha fotos e informações de imigrantes presos que possuem histórico criminal, tentando reforçar a narrativa de que os alvos da repressão são perigosos.
No entanto, dados oficiais indicam que a maioria das prisões envolve indivíduos sem qualquer passagem pela polícia, o que contradiz diretamente o discurso oficial de Trump e aliados.
Aplicativos avisam onde estão os agentes do serviço de imigração
Nesse cenário, o uso de aplicativos de geolocalização tornou-se uma forma de resistência. Plataformas como o Padlet, por exemplo, permitem que usuários atualizem mapas colaborativos com informações sobre a presença de agentes do serviço de imigração em determinada região.
A dinâmica lembra a do Waze, só que, em vez de congestionamentos ou blitzes, os avisos indicam onde evitar possíveis detenções. Brasileiros, especialmente em estados como Flórida, Massachusetts e Nova Jersey, estão entre os que mais utilizam esse tipo de ferramenta.
Apesar da popularidade e da função de proteção, esses aplicativos têm sido alvos de censura. Apple e Google passaram a restringir o acesso a esses serviços, alegando que eles colocam em risco a integridade dos agentes.
A decisão gerou críticas de ativistas e desenvolvedores, que veem nas medidas uma forma de silenciar comunidades vulneráveis e restringir o direito à informação.






