A Antártida enfrenta um cenário com a cobertura de gelo marinho atingiu seu terceiro nível mais baixo nos últimos 47 anos, segundo dados do Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo (NSIDC), vinculado à Universidade do Colorado, em Boulder.
Durante o inverno no hemisfério sul, que vai de junho a setembro, o oceano ao redor da Antártida tradicionalmente congela, expandindo a superfície gelada centenas de quilômetros além do continente. O pico do gelo geralmente ocorre entre setembro e outubro, quando atinge sua máxima extensão.
Em 2025, o auge do gelo foi registrado em 17 de setembro, com cerca de 18 milhões de milhas quadradas. Apesar de ser uma área gigantesca, esse valor é significativamente menor que a média histórica, situando-se apenas acima dos recordes negativos de 2023 e 2024.
Os últimos três anos formam, assim, um período de retração sem precedentes na história moderna de monitoramento.
Influência do Aquecimento Global
Segundo Ted Scambos, pesquisador sênior da Universidade do Colorado, projeções anteriores indicavam apenas pequenas variações no gelo marinho da Antártida. No entanto, o aumento das temperaturas globais e o aquecimento dos oceanos estão provocando mudanças que antes eram inimagináveis.
A mistura de águas mais quentes com os mares próximos ao continente acelerou o degelo e modificou o equilíbrio térmico da região.
Funções do gelo marinho
O gelo que flutua sobre o oceano desempenha papéis vitais no sistema climático global:
- Reflexão solar: A superfície branca reflete grande parte da radiação solar de volta ao espaço. Quando o gelo derrete, essa energia é absorvida pela água escura, intensificando o aquecimento dos oceanos.
- Estabilização do manto de gelo: Atua como uma barreira que impede o derretimento direto do manto de gelo terrestre, reduzindo o risco de elevação imediata do nível do mar.
- Proteção costeira: Diminui a força das ondas e atenua o impacto dos ventos, protegendo o continente e regiões costeiras próximas.
Por outro lado, a redução do gelo também pode gerar efeitos inesperados, como o aumento das nevascas. O ar úmido que antes se formava sobre o gelo marinho agora se aproxima mais do continente, levando mais umidade e potencialmente aumentando as precipitações de neve na região.
Consequências a longo prazo
O manto de gelo antártico contém quantidade suficiente de água para elevar drasticamente o nível do mar caso derreta completamente. Embora um colapso total leve séculos para ocorrer, os impactos graduais já são perceptíveis e preocupam cientistas e populações costeiras globalmente.
Atualmente, cerca de 90% do calor gerado pelo aquecimento global é absorvido pelos oceanos, acelerando o o ciclo de degelo e aquecimento contínuo.
A situação evidencia, mais uma vez, que o aquecimento global não é um problema distante, mas um fenômeno com impactos imediatos e de longo alcance, que exige atenção urgente de governos, cientistas e sociedade civil.





