Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontou uma possível relação entre tempestades solares e o aumento da incidência de infartos, especialmente entre mulheres na faixa etária de 31 a 60 anos.
Publicado em julho na revista Communications Medicine, o estudo examinou registros hospitalares e dados de variações geomagnéticas em São José dos Campos (SP), cobrindo o período de 1998 a 2005. No total, foram analisados 1.340 casos de internação por infarto, sendo 871 em homens e 469 em mulheres.
Sol e infartos em mulheres
Os dados indicaram que, enquanto os homens apresentavam taxas de infarto mais elevadas independentemente das variações geomagnéticas, nas mulheres de 31 a 60 anos a ocorrência de infartos aumentou em até três vezes nos dias de maior atividade do campo magnético terrestre.
Trata-se de um estudo observacional limitado a uma única região, o que impede a confirmação de uma relação direta de causa e efeito. Os pesquisadores sugerem que partículas solares e mudanças no campo geomagnético possam influenciar processos biológicos, incluindo a função cardiovascular, afetando ritmo cardíaco, pressão arterial e regulação hormonal, embora os mecanismos exatos ainda não estejam totalmente esclarecidos.
Perspectivas
O INPE destaca que o estudo busca estimular novas pesquisas sobre a relação entre fenômenos naturais e a saúde humana. Investigações futuras poderão ampliar a análise para diferentes regiões e grupos populacionais, aprofundar a compreensão dos mecanismos fisiológicos envolvidos e apoiar o desenvolvimento de estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares durante períodos de maior atividade solar.
Apesar de ainda preliminares, os achados sugerem que fatores ambientais, como tempestades solares, podem influenciar de maneira inesperada a saúde cardiovascular, evidenciando a relevância de considerar variáveis externas em estudos epidemiológicos e na formulação de políticas públicas de saúde. A pesquisa reforça a necessidade de compreender melhor como eventos naturais afetam o bem-estar e o risco de condições graves, como infartos.






