O Itaú anunciou o fechamento da sua agência localizada na avenida Tancredo Neves, no bairro Caminho das Árvores, marcado para o dia 5 de novembro. Fundada em 1992, a unidade já atendeu milhares de clientes, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, se tornando referência em Salvador ao longo de três décadas.
A decisão afetará aproximadamente 20 mil clientes e 28 funcionários, gerando surpresa e apreensão entre a equipe, que ressaltou o valor histórico e o papel da agência na comunidade.
Reação da categoria
O anúncio provocou mobilização imediata do Sindicato dos Bancários da Bahia, que organizou uma manifestação em frente à agência.
Durante o ato, representantes dialogaram com os funcionários, reforçando a oposição ao fechamento, principalmente pelo impacto sobre clientes que ainda dependem do atendimento presencial.
Luciana Dória, diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, destacou que nem todos os clientes possuem facilidade com canais digitais, seja por limitações tecnológicas, desconhecimento de sistemas online ou receio de golpes virtuais, situação comum entre usuários mais vulneráveis.
A estratégia do Itaú
O fechamento integra a estratégia do banco de fortalecer os canais digitais. Hoje, 97% das transações realizadas por clientes pessoas físicas ocorrem online.
Com isso, o Itaú pretende que suas unidades físicas assumam um papel mais consultivo, oferecendo atendimento especializado que combine suporte humano com a praticidade dos serviços digitais.
No entanto, especialistas e representantes sindicais alertam que a digitalização não substitui totalmente a necessidade do atendimento presencial, principalmente em regiões onde clientes ainda dependem de interações cara a cara para resolver questões financeiras complexas.
Tendência do mercado e histórico recente
A agência do Caminho das Árvores será a quarta de grande porte a fechar em Salvador em 2025, após os encerramentos de Brotas, Cabula e Imbuí, que afetaram juntos cerca de 73 mil clientes.
O fechamento também ocorre após a demissão de aproximadamente 1 mil funcionários ligados a operações digitais em São Paulo, medida justificada pelo banco como ajuste de produtividade, mas que gerou críticas de ex-colaboradores e sindicatos.
Entre 2024 e 2025, o movimento de fechamento de agências aumentou. Itaú, Bradesco e Santander juntos encerraram 856 unidades, e mais de cinco mil agências foram extintas desde 2014, reforçando a tendência de digitalização e reestruturação do setor bancário em todo o Brasil.
Especialistas alertam que estratégias híbridas, combinando tecnologia e presença física, podem ser a chave para atender diferentes perfis de clientes, evitando exclusão financeira.






