Os preços do café no mercado internacional tiveram forte alta entre agosto e setembro, chegando a 40%. Esse aumento deve impactar em breve os valores praticados nos supermercados brasileiros, já que as indústrias fecharam reajustes de 10% a 15% com o varejo.
Apesar do encarecimento, o consumo mostra recuperação: após retração no início do ano, os dados de setembro apontam crescimento das vendas, indicando que o setor pode fechar 2025 em nível próximo ao registrado em 2024.
Preço do café
No mercado interno, o grão tradicional ou extraforte teve preço médio de R$ 62,83 por quilo em agosto, registrando alta de 48,57% em 12 meses. O solúvel apresentou o maior aumento, de 50,59%, atingindo R$ 252,36 o quilo, enquanto o especial subiu 32,45%, para R$ 145,17. Por outro lado, produtos como cápsulas e drip coffee registraram queda de preços, de 1,43% e 0,3%, respectivamente.
A valorização internacional reflete a oferta mais limitada de café arábica no Brasil, afetada por uma colheita abaixo do esperado. Além disso, estoques globais reduzidos, variações climáticas e tarifas adicionais dos Estados Unidos contribuíram para a maior volatilidade do mercado.
Perspectiva futura
O foco do setor agora se volta para a safra de 2026, que apresenta perspectivas positivas. As estimativas indicam uma boa florada, com potencial para uma colheita recorde, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis. No entanto, mesmo com produção elevada, seriam necessárias várias safras consistentes para recompor os estoques globais de café.
No âmbito internacional, o grão brasileiro ganhou relevância nas negociações comerciais após os Estados Unidos indicarem a possibilidade de revisar a tarifa de 50% aplicada em agosto. O Brasil é responsável por cerca de 35% do café consumido nos EUA, sendo o principal fornecedor de grãos arábica. Alterações nesse cenário podem influenciar diretamente os preços internacionais e ter efeito sobre a inflação americana.






