O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou repercussão ao afirmar, em entrevista publicada nesta sexta-feira (19), que a maioria dos deputados federais brasileiros “não tem compromisso com os trabalhadores” e que “pouco está ligando para o povo”.
A fala ocorreu durante o podcast Papo de Crente, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, e abriu espaço para uma nova rodada de discussões sobre a representatividade política no Congresso Nacional.
Crítica à falta de compromisso social
Segundo Lula, os direitos previstos na Constituição, especialmente os sociais, ainda não foram plenamente regulamentados porque os parlamentares não representam as classes trabalhadoras.
Para o presidente, o perfil predominante na Câmara é de políticos da classe média alta, distantes da realidade da população comum.
Prioridades do Congresso
A fala veio justamente na semana em que a Câmara dos Deputados priorizou duas pautas polêmicas, a PEC da Blindagem, que limita a possibilidade de prisão de parlamentares, e o requerimento de urgência para o projeto que concede anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Enquanto isso, propostas com impacto direto na vida dos trabalhadores, como o projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, continuam sem avanço, dependendo da decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Durante a entrevista, Lula também abordou a relação entre fé e política. Ele declarou ser contra o uso de igrejas como palanques eleitorais, afirmando que não gosta de visitar templos em época de campanha.
Disse respeitar todas as crenças, mas rejeitou a ideia de se promover dentro de templos religiosos. Ressaltou que sua mensagem aos religiosos deve ocorrer “onde eles estiverem”, e não em espaços litúrgicos transformados em comícios.
Contradições e aproximação com evangélicos
Apesar da fala, Lula vem intensificando nos últimos anos o diálogo com o público evangélico. Desde a eleição de 2022, o presidente tem buscado maior proximidade com esse segmento religioso, considerado decisivo no cenário eleitoral.
Naquele ano, lançou a Carta Compromisso com os Evangélicos, e já em seu terceiro mandato mencionou Deus em diferentes discursos. Em maio, chegou a afirmar que “Deus deixou o sertão sem água” porque sabia que ele levaria esse recurso ao Nordeste.






