Após mais de um século dada como extinta, uma espécie de ave reapareceu na Nova Zelândia, surpreendendo a comunidade científica internacional. O retorno do tacaé-do-sul à natureza marca um feito extraordinário após décadas de ações meticulosas voltadas à conservação.
O reaparecimento da espécie, que desapareceu por volta de 1890, não só desafia as expectativas biológicas como também reacende esperanças sobre a capacidade humana de reparar danos ambientais.
Biólogos se assustam e ave extinta há 135 anos volta à natureza
O tacaé-do-sul, ave endêmica da Nova Zelândia, é uma espécie não voadora de plumagem verde-azulada, que há muito tempo ocupava regiões montanhosas da Ilha Sul.
Com porte robusto e comportamento pacífico, ela se tornou uma presa fácil após a chegada dos colonizadores europeus, que introduziram predadores como gatos selvagens e furões.
A ausência de defesas naturais e o fato de construir ninhos diretamente no solo contribuíram para sua rápida extinção aparente.
Durante décadas, o tacaé foi considerado perdido para sempre, até 1948, quando uma pequena população foi encontrada isolada nas montanhas de Murchison. A redescoberta deu início a um dos programas de recuperação mais persistentes da história da biologia da conservação.
Sob a liderança do projeto Takahē Recovery, cientistas passaram os últimos 70 anos desenvolvendo estratégias para salvar a espécie, que incluíram reprodução em cativeiro, manejo de predadores e criação de áreas de refúgio seguras.
18 aves da espécie foram liberadas na natureza
A libertação recente de 18 indivíduos no Vale de Greenstone, na Ilha Sul, é um marco desse processo. Com essa reinserção, estima-se que existam agora cerca de 500 exemplares vivendo na natureza, um número que parecia inatingível décadas atrás.
O trabalho contínuo de monitoramento, aliado ao uso de tecnologia para rastrear os animais e controlar ameaças, tem permitido avanços significativos na formação de uma população estável.
Para o povo maori Ngāi Tahu, o retorno do tacaé-do-sul vai além do aspecto ecológico. A ave é considerada um símbolo espiritual, e suas penas são vistas como verdadeiros tesouros culturais.
Sua presença de volta às terras ancestrais representa uma reconexão com o passado e uma vitória compartilhada entre ciência e tradição.
O caso do tacaé-do-sul serve como um lembrete poderoso: espécies à beira da extinção ainda podem ter uma segunda chance, desde que haja empenho real para protegê-las.






