O Grupo Carrefour confirmou o encerramento da bandeira Nacional no Rio Grande do Sul, colocando fim a uma trajetória de mais de três décadas no Estado. A decisão envolve liquidações para escoar estoques e marca o fechamento de um dos nomes mais tradicionais do varejo gaúcho.
A unidade do Nacional no bairro Jardim Leopoldina, em Porto Alegre, será a última a encerrar atividades. O fechamento está marcado para 30 de setembro, permanecendo aberta até a data-limite ou até o fim dos produtos disponíveis nas prateleiras.
Encerramentos em cidades do interior
Em Montenegro, a liquidação total foi concluída e o fechamento definitivo ocorreu em meados de setembro. Já em Santa Maria e Santa Cruz do Sul, o encerramento está previsto também para este mês, com funcionamento limitado até que os estoques sejam zerados.
O jornal Zero Hora apontou que, nessas cidades, a liquidação começou ainda no início de setembro, o que acelerou o processo de saída da marca.
O futuro dos imóveis desativados
O espaço em Montenegro será ocupado pela rede Mombach, que abrirá ali sua quarta loja após reformas. Já os pontos de Santa Maria e Santa Cruz do Sul foram adquiridos pelo Grupo Osmar Nicolini, que iniciou em julho a expansão de 11 unidades da antiga Rede Nacional em várias cidades gaúchas.
Essas negociações foram vistas como uma oportunidade de fortalecer redes locais em regiões estratégicas.
O encerramento das operações traz reflexos diretos no mercado de trabalho. Em Porto Alegre, a unidade do Jardim Leopoldina conta com um quadro de 50 a 70 empregados, enquanto em Santa Maria são cerca de 60 trabalhadores e em Santa Cruz do Sul, 45.
As redes que assumem os imóveis já sinalizaram que pretendem recontratar parte da mão de obra, conforme as necessidades de cada projeto e os cronogramas de reforma.
Como a decisão foi construída
A retirada da bandeira Nacional faz parte de um processo iniciado após a aquisição do Grupo BIG em 2022. Naquele momento, o Carrefour colocou as lojas à venda, promoveu a conversão de algumas unidades em Atacadão e Sam’s Club e anunciou o encerramento das demais até o primeiro semestre de 2025.
No entanto, o cronograma se estendeu, com as últimas unidades chegando ao fim apenas em setembro.
Em entrevista ao jornal Zero Hora, o CEO do Carrefour na América Latina, Pablo Lorenzo, destacou que o grupo busca concentrar esforços em modelos de negócio mais competitivos.
O foco agora está no atacarejo, representado pelo Atacadão, e nos clubes de compras, como o Sam’s Club, formatos que oferecem custos operacionais menores e maior escala de vendas.
Dimensão do desinvestimento
A bandeira Nacional chegou a somar 47 lojas no Brasil, sendo 39 apenas no Rio Grande do Sul. Parte foi vendida a redes regionais, outra convertida em bandeiras do próprio Carrefour e o restante desmobilizado.
Como a maioria das operações funcionava em imóveis alugados, a saída ocorreu por meio de vendas, transferências ou devolução dos espaços.





