O Google anunciou uma mudança significativa em sua tradicional ferramenta de busca: o lançamento do Modo IA, um novo formato que reformula a maneira como os usuários acessam informações na internet.
A novidade, que já vinha sendo testada nos Estados Unidos desde maio, começou a ser disponibilizada para usuários no Brasil na segunda-feira, dia 8 de setembro.
O recurso altera profundamente a dinâmica da busca online ao oferecer respostas diretas, geradas por inteligência artificial, em vez de apresentar apenas uma lista de links para sites externos, como geralmente o Google faz no modo tradicional.
Embora a promessa seja de maior eficiência e praticidade, a funcionalidade tem sido alvo de críticas nos EUA, especialmente de veículos jornalísticos, que relatam quedas expressivas de tráfego em seus portais devido ao roubo de informações pela ferramenta.
Nova forma de buscar informações é anunciada pelo Google
Na prática, o Modo IA funciona como uma camada adicional dentro do buscador do Google. Ao fazer uma pergunta complexa, o usuário passa a visualizar um resumo gerado por inteligência artificial logo no topo da página de resultados.
Esse conteúdo é elaborado com base na leitura de diversas fontes online, sintetizadas em uma única resposta apresentada como se fosse um relatório. Os links para os sites consultados ainda estão presentes, mas ficam em segundo plano, posicionados ao final do texto gerado ou na lateral da interface.
O recurso está disponível tanto na versão web quanto nos aplicativos móveis do Google e aparece em uma aba separada, ao lado de categorias como Imagens, Notícias e Vídeos.
Segundo a empresa, o objetivo do Modo IA é tornar a busca mais útil em situações que exigem respostas complexas, como organizar uma viagem, comparar produtos ou entender tópicos com múltiplas variáveis.
A tecnologia por trás do sistema é baseada no Gemini 2.5, um modelo de linguagem desenvolvido pelo próprio Google, capaz de processar diferentes tipos de entrada, incluindo texto, imagens e voz.
O sistema divide a pergunta feita pelo usuário em partes menores, realiza buscas paralelas e reúne as informações em uma resposta coesa.
Para acessar o Modo IA, o usuário pode selecionar a nova aba específica ao lado dos filtros tradicionais ou, em alguns casos, visualizar o conteúdo automaticamente ao realizar buscas que se encaixam no perfil “elaborado” definido pela inteligência artificial.
Em situações em que a tecnologia não tem alta confiabilidade sobre o assunto pesquisado, o Google opta por manter o formato tradicional da busca.
Ferramenta do Google recebe acusações nos EUA, e empresa diz que novidade é evolução natural
Desde seu lançamento nos Estados Unidos, o Modo IA vem sendo motivo de debate entre empresas de mídia e produtores de conteúdo.
Entidades como a News/Media Alliance acusam o Google de utilizar o material de seus sites sem a devida compensação, já que a inteligência artificial extrai informações de reportagens, análises e publicações jornalísticas para construir suas respostas.
De acordo com dados da Similarweb, veículos como HuffPost, The New York Times e The Washington Post sofreram quedas consideráveis de tráfego orgânico, com perdas que chegam a quase 50% em alguns casos.
A crítica central é que, ao entregar a resposta pronta, o Google reduz a necessidade de o usuário clicar em links e acessar diretamente os sites de origem.
A empresa, por sua vez, defende o Modo IA como uma evolução natural da experiência de busca e afirma que está comprometida com a qualidade das respostas oferecidas.
No entanto, o impacto sobre a cadeia de produção de conteúdo digital, especialmente o jornalístico, levanta uma discussão urgente sobre o futuro do ecossistema da informação na era da inteligência artificial.






