A China, conhecida por sua capacidade de produção em massa, não poupou esforços na construção de shoppings.
Desde 2013, o país dobrou seu número de centros comerciais, atingindo 6.700 unidades. Porém, esse boom acabou criando um cenário de saturação, com alguns shoppings prosperando e outros enfrentando graves dificuldades para atrair clientes.
Um exemplo é o fechamento da loja da Apple no shopping InTime City, em Dalian. Apesar de a marca continuar operando em outra unidade próxima, o fechamento reflete uma tendência: até mesmo empresas multimilionárias não estão imunes às consequências do excesso de oferta de espaços comerciais.
Comércio eletrônico e logística ágil
O crescimento do e-commerce intensificou a pressão sobre os shoppings físicos. Na China, a entrega é barata, rápida e eficiente, contando com cerca de 10 milhões de trabalhadores, scooters elétricas, caminhões autônomos e até drones.
O resultado, muitos consumidores preferem comprar de casa, afetando diretamente o fluxo de clientes nos centros comerciais.
Grande parte da expansão dos shoppings chineses foi impulsionada por incorporadoras que financiaram projetos com dívidas, mesmo diante de um mercado de varejo em desaceleração, iniciado durante a pandemia. Essa estratégia levou a um cenário de excesso de oferta e concorrência intensa.
O sistema tributário também contribuiu para o crescimento desenfreado: shoppings geram impostos consideráveis sobre vendas, enquanto imóveis residenciais quase não pagam impostos anuais. Por isso, governos locais pressionam pela construção contínua de centros comerciais, mesmo diante de sinais de demanda menor.
Análises recentes mostram uma clara divisão: shoppings como o InTime City estão em crise, com lojas fechadas e fluxo de clientes baixo, enquanto outros conseguem prosperar, especialmente aqueles localizados em áreas de maior poder aquisitivo ou destinos turísticos.
Impacto na classe média
A queda nos preços de apartamentos, resultado das tentativas do governo de controlar a bolha imobiliária, reduziu o poder de consumo da classe média. Dois terços das lojas de departamentos registraram queda nas vendas e lucros, evidenciando que a desaceleração vai além dos shoppings e afeta o consumo de forma geral.
Além da localização de lojas, a Apple enfrenta concorrência direta de marcas chinesas, como Huawei e Xiaomi, que conquistam cada vez mais espaço no mercado interno. Embora programas governamentais incentivem o consumo, a retração do poder de compra ainda é um obstáculo.
Para empresas globais, isso indica que escolhas estratégicas sobre localização e adaptação ao e-commerce são fundamentais para continuar prosperando.






