Um fenômeno que muitos nunca tinham presenciado tomou conta do litoral de São Paulo e surpreendeu também outras regiões costeiras do Brasil. Em determinadas praias, o mar recuou de forma tão intensa que a faixa de areia aumentou consideravelmente, revelando o fundo marinho em áreas que normalmente estão cobertas por água.
A cena inusitada provocou reações imediatas de espanto e preocupação entre moradores, turistas e comerciantes locais. Para alguns, a impressão era de que a praia simplesmente havia desaparecido.
Vídeos e fotos se espalharam pelas redes sociais, alimentando teorias sobre desequilíbrios ambientais, desastres naturais e até crenças populares. Mas do que se trata, afinal?
Fenômeno inédito secou o mar no Brasil: “Todos ficaram preocupados”
Apesar do impacto visual e da estranheza causada, especialistas garantem que o fenômeno não tem nada de sobrenatural. Trata-se de um evento natural chamado sizígia, bem conhecido por cientistas que estudam o comportamento das marés.
A oceanógrafa Regina Souza, do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Unisanta, explicou, em entrevista ao jornal Diário do Litoral, que a sizígia ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol se alinham, o que acontece principalmente durante as fases de lua cheia e lua nova.
Esse alinhamento intensifica a atração gravitacional sobre os oceanos, provocando marés mais extremas, tanto as mais altas quanto as mais baixas.
Foi exatamente essa maré muito baixa que criou a impressão de um “mar seco” em localidades como Praia Grande e São Vicente, no litoral paulista. O fenômeno é periódico, embora não seja tão perceptível em todas as ocasiões.
Neste caso específico, as condições climáticas e o posicionamento dos astros contribuíram para que o recuo fosse mais acentuado do que o habitual, surpreendendo inclusive quem vive próximo à praia há décadas.
Banhistas devem evitar entrar no mar quando esse fenômeno ocorre
Quanto aos riscos, os especialistas afirmam que o fenômeno da sizígia não oferece perigo direto à população. Não está relacionada a tsunamis, terremotos ou outros eventos catastróficos.
No entanto, é preciso ter cautela ao se aproximar de áreas expostas pelo recuo das águas, pois o terreno pode ser instável e escorregadio. Para banhistas, o ideal é evitar entrar na praia nesse tipo de situação, já que o retorno da maré pode acontecer rapidamente.
O susto foi grande, mas a explicação está ancorada na ciência. As águas não sumiram, apenas seguiram os ciclos naturais que, vez ou outra, desafiam os nossos olhos e despertam nossa curiosidade.





