Uma operação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com a vigilância sanitária de Itapemirim (ES), resultou na interdição de uma fábrica clandestina de suplementos alimentares.
A ação, realizada na terça-feira, 19, expôs as condições precárias em que produtos sem registro eram fabricados e distribuídos, revelando um esquema que coloca em risco a saúde da população.
A fiscalização teve como alvo a empresa Verde Flora Produtos Naturais, mas durante a vistoria foi encontrado um galpão próximo ao local que funcionava sem qualquer autorização.
No interior, havia suplementos e medicamentos fitoterápicos produzidos em ambiente insalubre, sem controle de higiene e totalmente fora das normas estabelecidas pela Anvisa.
Implicações legais e criminais
Diante da gravidade da situação, a equipe de fiscalização acionou a polícia por se tratar de crime contra a saúde pública. Apesar da chegada dos agentes, os proprietários não foram localizados.
O espaço foi interditado e lacrado, e todo o material apreendido deverá ser recolhido e inutilizado. O relatório da inspeção será encaminhado ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia formal contra os responsáveis, além da abertura de processo administrativo sanitário.
Suplementos e irregularidades recorrentes
O caso de Itapemirim não é isolado. A Anvisa tem registrado números alarmantes de irregularidades no setor de suplementos alimentares. Entre 2020 e 2025, aproximadamente 63% dos processos de investigação envolveram esse tipo de produto.
Nos últimos anos, já foram retirados do mercado suplementos como os da marca Power Green, além das linhas Lipo Sem Corte, Detox Fit e Intensy, fabricados sem registro e sem comprovação científica de segurança. Até mesmo produtos à base de ora-pro-nóbis foram proibidos pela agência por falta de evidências de eficácia.
Debate no Congresso e alerta à população
Na última segunda-feira, 18, representantes da Anvisa participaram de audiência na Câmara dos Deputados para alertar sobre a baixa qualidade dos suplementos disponíveis no mercado nacional.
Segundo o órgão, o consumo desenfreado de substâncias sem registro oficial tem se tornado um grave problema de saúde pública, e grande parte dos consumidores desconhece os riscos associados.
Inteligência artificial como ferramenta de fiscalização
A agência vem investindo em novas tecnologias para enfrentar o avanço do comércio clandestino. Com o uso de ferramentas de inteligência artificial, já foi possível identificar e remover mais de 230 mil anúncios ilegais da internet, dos quais cerca de 60 mil estavam diretamente relacionados a suplementos alimentares.
O objetivo é ampliar o monitoramento digital e reduzir a circulação de produtos sem registro.
Riscos para o consumidor
Consumir suplementos fabricados clandestinamente significa se expor a substâncias proibidas, dosagens inadequadas e até mesmo contaminantes perigosos. Esses produtos não cumprem o que prometem e podem causar intoxicações, danos ao fígado, problemas cardíacos e outros riscos severos.
A interdição em Itapemirim mostra que esse mercado paralelo continua ativo e reforça a importância de que consumidores verifiquem sempre o registro da Anvisa antes de adquirir qualquer produto.





