O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou a suspensão preventiva dos contratos com a Crefisa, empresa que intermediava o pagamento de benefícios previdenciários para mais de 1,7 milhão de brasileiros.
A decisão, publicada oficialmente no Diário Oficial da União (DOU), ocorre após a identificação de práticas consideradas irregulares na prestação de serviços, e marca mais um capítulo das medidas adotadas pelo INSS contra intermediários financeiros.
Decisão publicada no Diário Oficial da União
O despacho foi assinado pelo presidente do INSS, Gilberto Waller, que enfatizou a necessidade da suspensão como medida de proteção ao interesse público. Segundo o documento, a ação visa “cessar irregularidades e salvaguardar o interesse dos segurados até a conclusão definitiva dos processos de apuração”.
É importante destacar que a medida afeta apenas a concessão de novos benefícios. Beneficiários que já recebem aposentadorias ou pensões por meio da Crefisa continuarão com os pagamentos normalmente.
O peso da Crefisa na folha do INSS
A Crefisa conquistou, em 2024, a operação de 25 dos 26 lotes do leilão de intermediação de pagamentos do INSS, tornando-se uma das principais instituições na gestão da folha previdenciária. Esse crescimento rápido elevou a quantidade de beneficiários atendidos e também o valor das comissões recebidas.
De janeiro a agosto de 2025, a empresa recebeu cerca de R$ 25 milhões pelo serviço de intermediação, conforme dados oficiais do INSS.
Benefícios sob responsabilidade da Crefisa
- Total de beneficiários do INSS: 41 milhões
- Beneficiários pagos pela Crefisa: 1,7 milhão
- Valor intermediado em 2025 até agosto: R$ 25 milhões
Irregularidades apontadas pelo INSS
O INSS identificou seis tipos de irregularidades na prestação de serviços da Crefisa, incluindo falhas de atendimento, coação, portabilidades irregulares e infraestrutura insuficiente.
Falhas no atendimento
- Atrasos e recusas no pagamento de benefícios;
- Limitações para saques em agências físicas;
- Ausência de sistema eficiente de triagem e emissão de senhas.
Coação e venda casada
- Pressão para abertura de contas correntes;
- Oferta compulsória de produtos e serviços.
Estrutura insuficiente
- Filas extensas em postos de atendimento;
- Falta de caixas eletrônicos;
- Espaços físicos inadequados para o público idoso.
Portabilidades irregulares
- Transferência de benefícios sem autorização do beneficiário.
Segundo o INSS, essas práticas geraram diversas reclamações formalizadas em Procons, Ministério Público Federal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e em canais internos da autarquia.
Repercussão e histórico de medidas
Não é a primeira vez que contratos de bancos intermediários do INSS são suspensos. Recentemente, o Agibank também teve contratos interrompidos após denúncias de bloqueios e retenção de valores.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, destacou que a decisão sobre a Crefisa se deu “pelo conjunto da obra”, considerando o volume de reclamações acumuladas.
Em nota oficial, a Crefisa afirmou ter sido surpreendida com a decisão e alegou não ter recebido comunicação formal do INSS. A empresa negou todas as irregularidades apontadas e reforçou a qualidade de seus serviços.
Embora o impacto imediato seja limitado aos novos beneficiários, a medida reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre instituições que intermediam pagamentos do INSS.






