A recente decisão de proibir temporariamente a venda de açaí durante a COP30, marcada para novembro em Belém (PA), acendeu o alerta sobre um dos alimentos mais consumidos da região Norte.
A medida, divulgada inicialmente em um edital da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), citava o risco de contaminação por Trypanosoma cruzi, parasita responsável pela doença de Chagas.
Apesar da medida ter sido revogada posteriormente, a repercussão foi imediata: consumidores passaram a questionar se o açaí representa, de fato, uma ameaça à saúde.
Perigo! Açaí está transmitindo doença de chagas?
A polêmica se intensificou quando uma nova versão do mesmo edital liberou o comércio da fruta, sem maiores explicações. Essa reviravolta provocou ainda mais incertezas.
Afinal, o açaí transmite ou não transmite a doença de Chagas? A população quer respostas, e os especialistas começaram a se manifestar para esclarecer os riscos e cuidados necessários.
O Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença, pode ser transmitido por meio do consumo de alimentos contaminados, e o açaí, infelizmente, está entre os principais suspeitos. Não é o fruto em si o vilão, mas sim o modo como ele é processado.
O risco surge quando o fruto é manipulado sem os cuidados sanitários adequados, principalmente nas áreas onde o barbeiro, que é o inseto transmissor da doença, vive em contato com a vegetação nativa e pode acabar esmagado junto aos frutos durante a colheita ou a produção artesanal da polpa.
Pesquisas científicas indicam que, nos últimos anos, a via oral se tornou a principal forma de infecção por Chagas no Brasil, superando inclusive a tradicional transmissão por picada do inseto.
Estudos conduzidos por universidades brasileiras confirmam que surtos da doença têm ocorrido com maior frequência na região amazônica, com destaque para o estado do Pará, onde o consumo de açaí fresco e não industrializado é elevado.
Como consumir o açaí com segurança?
Segundo especialistas, a solução para garantir a segurança do alimento está no chamado processo de branqueamento. Essa técnica consiste em aquecer o fruto a 80 °C por alguns segundos antes de resfriá-lo e processá-lo, eliminando o protozoário e outros agentes contaminantes.
Quando esse método é aplicado corretamente, o risco de contaminação desaparece, tornando o produto seguro para o consumo.
Portanto, o açaí continua sendo um alimento nutritivo e culturalmente importante, mas sua segurança depende do modo como é preparado. O consumidor deve sempre optar por fornecedores que seguem boas práticas de higiene e que adotam o branqueamento no processamento do fruto.





