A diminuição no número de famílias atendidas pelo Bolsa Família em Campinas (SP) vem chamando a atenção de especialistas e moradores.
Em agosto, a cidade registrou o menor número de beneficiários do ano, com 52.946 famílias recebendo o auxílio, totalizando mais de 137 mil pessoas. O dado preocupa por representar uma virada no histórico do programa na região, que até junho de 2024 mantinha números acima dos 60 mil atendidos.
Histórico do programa em Campinas
O Bolsa Família começou em 2004, atendendo apenas 3.780 famílias. Durante a pandemia da Covid-19, o número saltou, superando as 40 mil famílias em 2020.
Com a criação do Auxílio Brasil em 2021, e posteriormente o retorno ao nome Bolsa Família em 2023, Campinas chegou ao pico de 65.953 famílias atendidas em março de 2023.
Desde então, houve oscilações, mas o número manteve-se acima dos 60 mil até meados de 2024, quando iniciou a queda mais acentuada.
Motivos da redução
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, três fatores explicam a redução:
- A melhora na renda e no emprego, com a taxa de desemprego em São Paulo caindo para 5,1%, abaixo da média nacional de 5,8%;
- A revisão cadastral, com checagem intensificada do Cadastro Único, eliminando registros irregulares e famílias que já não se enquadram no perfil exigido;
- A lógica de porta de saída do programa, que visa apoiar famílias em vulnerabilidade até que consigam retomar autonomia financeira.
Impactos na população
Apesar da justificativa oficial, a diminuição preocupa moradores e entidades sociais, que veem riscos de que famílias ainda vulneráveis fiquem descobertas.
Para muitas pessoas, o valor médio de R$ 661,65 por família em Campinas faz diferença direta na compra de alimentos, medicamentos e no pagamento de contas básicas.
Entidades de assistência alertam que, mesmo com melhora no mercado de trabalho, a informalidade e os baixos salários ainda deixam milhares em situação de fragilidade econômica.
O que dizem os números
Em agosto, Campinas contava com 52.946 famílias atendidas, totalizando 137.682 pessoas beneficiadas diretamente. O investimento do governo federal no mês chegou a R$ 34,7 milhões, com benefício médio de R$ 661,65 por família.
A queda nos números alerta autoridades e sociedade para a necessidade de monitoramento contínuo e apoio complementar, evitando que o progresso social seja comprometido e que vulnerabilidades econômicas se aprofundem.






