Um novo estudo revelou que a Coca-Cola pode estar enfrentando o início do fim de sua longa hegemonia no mercado sul-americano. A marca, historicamente dominante na região, vem sofrendo perdas significativas em presença e influência.
Embora ainda seja líder em muitos países, os dados mais recentes apontam para uma tendência de queda sustentada, resultado de mudanças no comportamento dos consumidores e pressões econômicas e regulatórias crescentes.
Fim do ciclo para Coca-Cola na América do Sul
O alerta vem do relatório Brand Footprint América Latina 2025, publicado pela Worldpanel by Numerator, uma das principais empresas de análise de mercado de bens de consumo rápido.
A pesquisa, que mede o índice de Consumer Reach Points (CRP), uma métrica que avalia a frequência com que os produtos são escolhidos pelos consumidores, identificou que os refrigerantes estão entre as categorias que mais perderam espaço nas gôndolas da América Latina no último ano.
Dentro desse cenário, a Coca-Cola registrou uma queda de 4,7% em CRP, enquanto sua principal concorrente, a Pepsi, recuou 4,9%.
O estudo identifica três principais fatores por trás dessa retração. O primeiro é a inflação persistente que tem atingido os países da região.
Com a alta dos preços dos alimentos, os consumidores passaram a cortar itens considerados supérfluos, como refrigerantes, optando por alternativas mais baratas ou simplesmente reduzindo o consumo.
O segundo fator é o fortalecimento das marcas locais. Em mercados como Brasil, Argentina, Colômbia e México, empresas nacionais têm conquistado espaço com preços mais acessíveis e identidade regional mais próxima do consumidor.
Exemplos como Itubaína, Pritty, Colombiana e Red Cola mostram que o apelo das marcas globais está sendo desafiado de maneira concreta.
Maior preocupação com saúde pode estar enfraquecendo vendas da Coca-Cola na América do Sul
Por fim, há uma mudança cultural mais profunda em curso: a crescente preocupação com saúde e nutrição. Segundo o mesmo levantamento, 89% dos latino-americanos consideram as bebidas açucaradas prejudiciais à saúde.
Essa percepção tem sido intensificada pela introdução de rótulos de advertência nutricional em vários países da região, o que tem impactado diretamente a imagem dos refrigerantes tradicionais.
Embora a Coca-Cola ainda mantenha uma posição de destaque no mercado, o ritmo de mudança indica que sua liderança não é mais garantida.
O que antes parecia inabalável agora enfrenta um cenário em que preço, saúde e identidade local ganham força, e ameaçam fechar o ciclo de supremacia da gigante americana na América do Sul.





