Nesta semana, o Dia Mundial do Canhoto voltou a chamar atenção para uma característica presente em apenas uma pequena parcela da população.
Criada no início dos anos 1990 pelo britânico Left Handers Club, a data, celebrada em 13 de agosto, tem como objetivo dar visibilidade aos desafios e às peculiaridades dos canhotos, que ainda despertam muitas dúvidas.
Afinal, será que eles funcionam mesmo de forma diferente dos destros?
Canhotos funcionam diferente de destros? Entenda por que são raros
O que define uma pessoa como canhota é o fenômeno chamado lateralidade cerebral, um padrão neurológico que determina qual lado do cérebro será dominante.
No caso dos canhotos, o hemisfério direito tende a ser mais ativo, enquanto nos destros predomina o esquerdo. Essa inversão neurológica tem implicações no modo como cada indivíduo processa informações e executa tarefas, embora nem sempre de forma visível no dia a dia.
Tradicionalmente, o hemisfério esquerdo do cérebro é associado a funções mais analíticas, como linguagem, lógica e raciocínio matemático. Já o hemisfério direito está ligado à intuição, percepção espacial e habilidades criativas.
Isso levou à crença popular de que os canhotos seriam, por natureza, mais criativos. No entanto, especialistas apontam que a criatividade é resultado de múltiplos fatores, incluindo genética, ambiente e estímulos culturais, não podendo ser atribuída exclusivamente à lateralidade cerebral.
A ciência ainda investiga os motivos exatos que levam uma minoria a desenvolver preferência pela mão esquerda. Estima-se que apenas 10% da população mundial seja canhota.
Essa tendência começa a se definir ainda no útero, mas só se consolida completamente nos primeiros anos de vida, quando a criança começa a usar uma das mãos com mais frequência para realizar tarefas cotidianas.
Canhotos frequentemente precisam se adaptar
Ser canhoto não implica em limitações cognitivas ou motoras, mas pode trazer desafios práticos. Em um mundo planejado majoritariamente para destros, de cadeiras escolares a ferramentas simples, canhotos frequentemente precisam se adaptar.
Em contrapartida, essa adaptação constante pode estimular habilidades compensatórias, como maior flexibilidade motora e agilidade em esportes como tênis ou boxe, onde o fator surpresa é uma vantagem.
Apesar das diferenças neurológicas, o funcionamento do cérebro de canhotos e destros é, em essência, mais parecido do que se imagina. O que muda é a forma como o cérebro se organiza, não sua capacidade de pensar, aprender ou criar.






