Um registro inédito está movimentando pesquisadores e amantes da vida selvagem no Paraná. As armadilhas fotográficas do Projeto Onças do Iguaçu capturaram imagens de um uiraçu (Morphnus guianensis), uma das aves de rapina mais raras do Brasil e das Américas.
Considerado um predador do topo da cadeia alimentar, o avistamento confirma a importância do Parque Nacional do Iguaçu como refúgio ambiental.
O uiraçu pode ser encontrado em uma ampla faixa geográfica, desde o México até o nordeste da Argentina. No Brasil, sua presença é majoritária na Amazônia, mas a espécie enfrenta diferentes níveis de ameaça dependendo do estado.

Alguns territórios brasileiros registram risco crítico de extinção, enquanto outros, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, já não contam com a ave em seu habitat natural.
Confusões comuns e diferenças morfológicas
Frequentemente, o uiraçu é confundido com a harpia (Harpia harpyja), a lendária gavião-real, recebendo os apelidos de “gavião-real-falso” ou “uiraçu-falso”.
Apesar das semelhanças, o uiraçu pertence a um gênero diferente, Morphnus, e possui características únicas, como uma crista dupla e variações de plumagem, que podem incluir indivíduos melânicos com penas mais escuras ou totalmente negras. Essa diversidade genética o torna ainda mais singular entre as águias brasileiras.
Registro histórico no Parque Nacional do Iguaçu
O avistamento mais recente mostra o uiraçu descendo ao chão da floresta, comportamento pouco documentado. O registro fotográfico anterior, feito em 2022, já havia alertado para a presença da espécie no parque, mas o novo flagrante indica que mais de um casal habita a região.
Yara Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, destaca que “o registro de um uiraçu aqui no parque é prova da qualidade ambiental, visto que é um predador do topo da cadeia que precisa de áreas extensas e intactas”.
Tânia Sanaiotti, coordenadora do Projeto Harpia no Brasil, reforça a importância da descoberta: “A distância desse segundo registro de um uiraçu adulto para o primeiro registro em 2022 evidencia que há mais de um casal no Parque Nacional do Iguaçu, que aparentemente mantém uma população estável da espécie.”
O futuro da espécie
Embora o uiraçu ainda enfrente ameaças em várias regiões do Brasil, descobertas como essa mostram que a vigilância ambiental, o monitoramento científico e a proteção dos parques nacionais são essenciais para a sobrevivência de espécies em risco.
Cada flagrante, cada fotografia ou filmagem contribui para o conhecimento sobre a vida desses predadores majestosos e fortalece os esforços de conservação.






