O café, líder entre os alimentos mais consumidos pelos brasileiros, teve seu preço recuando 1,01% em julho, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).
Esse movimento marca a primeira queda em 30 meses, após um longo período de aumentos consecutivos que chegaram a acumular 70,51% de inflação em um ano. Para milhões de brasileiros, essa notícia traz alívio, já que o café acompanha o dia a dia de manhãs apressadas, pausas no trabalho e encontros familiares.
Consumo alimentar revela preferências históricas
Dados do IBGE mostram que o consumo per capita de café chega a 163,2 gramas por dia, superando feijão (142,2 gramas) e arroz (131,4 gramas). A análise, feita em parceria com o Ministério da Saúde, considerou consumidores a partir de 10 anos, cruzando informações de sexo, idade, renda e localização urbana ou rural.
A pesquisa também revelou mudanças no consumo de feijão e arroz, que caíram de 72,8% para 60% e de 84% para 76,1%, respectivamente, com quedas mais intensas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O levantamento mostrou que o feijão e o arroz permanecem predominantes em domicílios de menor renda, enquanto famílias com maior poder aquisitivo priorizam frutas e outros alimentos frescos.
Entre os itens mais consumidos destacam-se ainda carne bovina, hortaliças, cerveja, industrializados, milho, farinha de mandioca, pão e peixes, refletindo tanto a tradição quanto a diversidade da alimentação brasileira.
Alta histórica e recente tendência de queda
O café moído, que teve preço médio de R$ 66,70 o quilo em junho de 2025, quase o dobro do valor registrado no ano anterior, vinha registrando aumentos por 18 meses consecutivos. O ápice da inflação ocorreu em fevereiro, com alta de 10,77% em apenas um mês.
Entretanto, nos últimos levantamentos, tanto o IPCA-15 quanto o IPC da Fipe já indicavam recuo nos preços, confirmando uma tendência que muitos analistas previam para o segundo semestre, devido ao início da colheita no Brasil, mais intensa entre junho e julho.
Influências externas ainda sem impacto imediato
Apesar do recente tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre o café brasileiro, especialistas acreditam que o preço interno não sofrerá efeitos imediatos, pois a colheita anual limita a oferta e a logística de exportação é gradual.
Fernando Gonçalves, diretor do IPCA, reforçou que a queda nos preços deve ser associada à maior oferta do grão, não podendo ser vinculada diretamente à tarifa internacional.
A retração no preço do café, ainda que pequena, sinaliza um respiro para o bolso do consumidor brasileiro e pode influenciar o comportamento do mercado.
É um momento que mistura alívio, expectativas cautelosas e atenção às safras, às cotações internacionais e ao impacto das políticas comerciais sobre um produto tão simbólico no cotidiano do país.






