Um ciclone extratropical que avançou sobre o litoral sul do Brasil no final de julho pode ter sido responsável pela formação da maior onda já surfada no país.
O fenômeno climático provocou uma intensa agitação marítima na costa de Santa Catarina, especialmente na região de Jaguaruna, onde fica a famosa Laje da Jagua, um dos picos mais extremos do surfe nacional.
Ciclone extratropical pode ter criado onda de 15 metros no Brasil
No dia 30 de julho, dois surfistas, Marco Polo e Lucas Chumbo, entraram na água diante da previsão de ondas excepcionais, impulsionados pelos alertas de órgãos meteorológicos como a Defesa Civil e a Epagri/Ciram.
Naquela ocasião, ambos surfaram ondas que, segundo estimativas preliminares, podem ter ultrapassado os 15 metros de altura. Caso esse número seja confirmado, será estabelecido um novo recorde nacional, superando a marca atual de 14 metros.
A medição oficial está sendo conduzida pelo oceanógrafo Douglas Nemes, especialista em engenharia costeira e reconhecido por aplicar técnicas científicas rigorosas à análise do comportamento das ondas.
O estudo, encomendado pela Big Waves Brasil (BWB), será decisivo para validar a altura exata da onda.
Nemes, que também tem experiência prática como surfista, já havia liderado um mapeamento aprofundado da Laje da Jagua em 2022, reunindo centenas de registros para comprovar a grandeza das ondas na região.
Geografia do local facilita formação de ondas gigantes
A geografia da Laje da Jagua é um dos fatores que contribuem para a formação de ondas tão expressivas. Trata-se de uma formação rochosa submersa, localizada a mais de cinco quilômetros da costa, com cerca de dois quilômetros de extensão.
Quando grandes ondulações vindas do alto-mar, chamadas de swell, encontram essa elevação abrupta no relevo submarino, a energia acumulada na água se eleva rapidamente, criando paredes de água que podem atingir alturas extraordinárias.
Situações como a passagem de ciclones, que geram ventos intensos sobre o oceano, amplificam ainda mais esse processo.
O reconhecimento da Laje da Jagua como um dos principais pontos para ondas gigantes no país já mobilizou iniciativas como o projeto de lei que propõe declarar Jaguaruna a “Capital Nacional da Maior Onda do Brasil”.
Se confirmada a nova marca, o local não apenas reforça seu título, mas se firma como referência mundial no surfe de ondas grandes.






