No início de agosto, um episódio inusitado chamou a atenção na pequena cidade de Tabuleiro, na Zona da Mata de Minas Gerais. Uma câmera de segurança instalada em uma propriedade rural registrou o instante em que uma rocha despencou do céu e atingiu o telhado de um curral.
O impacto provocou um forte estrondo, assustando galinhas, cavalos e bovinos que estavam próximos, e o fragmento rochoso foi encaminhado para análise, que teve os primeiros resultados divulgados nesta semana.
Diante da coincidência de o caso ocorrer na mesma semana em que o Brasil atravessava um período de chuvas de meteoros, a dona do sítio e familiares levantaram a hipótese de que poderia se tratar de um meteorito.
Rocha que caiu em telhado de curral tem análise divulgada
A rocha, recolhida intacta logo após o incidente, foi encaminhada para análises técnicas. Primeiro, especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora realizaram exames preliminares.
Depois, as amostras foram levadas ao Rio de Janeiro, onde passaram por avaliações no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ).
Os laudos, divulgados nesta semana, descartaram que o material seja de origem extraterrestre, ou seja, de fora do planeta Terra, que seria o caso dos meteoritos.
De acordo com a professora e pesquisadora Maria Elizabeth Zucolotto, que participou diretamente da análise, os testes de espectroscopia Raman, técnica que utiliza a interação da luz para identificar minerais, não detectaram a presença de enstatita, um dos componentes típicos de meteoritos.
Embora tenham sido identificados elementos como níquel, o conjunto da composição indica tratar-se de uma rocha terrestre, provavelmente calcário, com traços de quartzo, calcita e dolomita.
Apesar da conclusão, a especialista não exclui totalmente a possibilidade de que um meteorito tenha caído na região.
Segundo ela, o objeto filmado pode ter se fragmentado antes de tocar o solo, e a parte encontrada pode não ser de fato o corpo original. “Pode ser que o meteorito esteja em outro ponto, ainda não localizado”, afirmou.
Possibilidade da rocha ser meteorito surgiu devido ao período do ano
O interesse inicial pela hipótese de meteorito se deveu à coincidência com o pico das chuvas de meteoros Delta Aquáridas e Perseidas, fenômenos que iluminam os céus entre o final de julho e meados de agosto.
Nessas ocasiões, partículas deixadas por antigos cometas cruzam a atmosfera terrestre, criando riscos luminosos visíveis a olho nu. Em raros casos, fragmentos maiores sobrevivem à passagem e atingem o solo.
Para os moradores de Tabuleiro, mesmo sem a confirmação científica de um visitante do espaço, o episódio ficará marcado pela cena pouco comum: uma rocha despencando sobre o curral em plena noite tranquila no interior mineiro.






