A Globo é reconhecida por lançar grandes sucessos e marcar gerações com programas memoráveis. Porém, nem tudo que a emissora coloca no ar se transforma em fenômeno de audiência.
Desde os anos 1990, a Globo acumulou tentativas frustradas de atrair diferentes públicos com formatos inovadores, musicais, reality shows e humorísticos que, por diferentes motivos, foram rejeitados pelo público.
Entre erros estratégicos, horários ruins e ideias mal executadas, alguns programas tiveram vida tão curta que poucos sequer lembram que existiram.
TV Zona – 1994
Na tentativa de conquistar a juventude, a Globo contratou Luiz Thunderbird, ícone da MTV, para comandar um programa musical nas tardes de sábado. O objetivo era dar espaço para bandas novas e estilos variados, mas a execução foi problemática.
A edição confusa, pouco tempo de apresentador no ar e o formato fragmentado afastaram os telespectadores rapidamente. A audiência despencou para apenas sete pontos e, em poucos meses, o “TV Zona” foi retirado da grade. Thunderbird criticou abertamente o projeto e acabou dispensado pela emissora.
Samba, Pagode e Companhia – 1999
O pagode estava em alta no fim dos anos 90, e a Globo resolveu apostar nesse público com um programa comandado por Salgadinho, do Katinguelê, e Netinho de Paula, do Negritude Júnior.
A ideia era animar as tardes de sábado com música e convidados especiais. No entanto, o formato não resistiu à concorrência de Raul Gil na Record e registrou índices de audiência pela metade do que a Globo costumava alcançar. Durou menos de dois meses e foi substituído por filmes antigos.
Sociedade Anônima – 2001
Cazé Peçanha, também vindo da MTV, foi escalado para apresentar um programa que unia televisão e internet, algo ousado para a época. Exibido aos domingos à noite, o “Sociedade Anônima” dependia da participação do público pela web, mas a conexão discada e instável da época tornava a proposta impraticável.
O SBT, com o “Topa Tudo por Dinheiro” de Silvio Santos, dominou a audiência, abrindo até 10 pontos de vantagem. Com apenas nove semanas no ar, o programa foi cancelado. Cazé deixou a Globo pouco depois.
O Jogo – 2003
Depois do sucesso de “No Limite” e “BBB”, a Globo investiu em um reality com suspense e ficção. Em “O Jogo”, participantes competiam para solucionar um crime fictício numa vila e concorriam a R$ 250 mil.
Apesar do conceito diferenciado, o público não se envolveu e a atração teve apenas 10 episódios. Foi considerado o pior programa do ano pela Folha de S.Paulo.
Norma – 2009
Protagonizado por Denise Fraga, “Norma” misturava dramaturgia e interação online, permitindo que o público influenciasse os rumos da história.
Exibido nas noites de domingo, enfrentou baixa adesão e resultados desastrosos no Ibope, chegando a ficar atrás até da Rede TV!. Com apenas três episódios exibidos, foi tirado do ar e episódios inéditos foram engavetados.
Divertics – 2013 a 2014
Jorge Fernando tentou renovar o humor da Globo com esquetes curtas e temas do cotidiano. O programa, exibido nas tardes de domingo, não conseguiu conquistar nem público nem crítica. As piadas foram consideradas fracas e a audiência baixa selou o destino da atração, que durou apenas alguns meses.
Tomara Que Caia – 2015
Misturando humor com competição, o programa colocava atores para improvisar histórias cujo rumo era definido pelo voto do público. Apesar da grande divulgação antes da estreia, a fórmula não funcionou.
Exibido nas noites de domingo, derrubou a audiência da Globo e permaneceu no ar por poucos meses, sendo lembrado como um dos maiores fiascos recentes da emissora.
Se Joga – 2019 a 2020
Fernanda Gentil, Fabiana Karla e Érico Brás comandaram um programa vespertino que misturava games, fofocas, horóscopo e quadros variados. O ritmo apressado e o excesso de informação deixaram o formato confuso e pouco atrativo.
Frequentemente derrotado pelo “Balanço Geral” da Record, foi retirado do ar em março de 2020. Retornou em 2021 aos sábados, com novo formato, mas o resultado foi o mesmo: baixa audiência e cancelamento.
Zig Zag Arena – 2021
Novamente com Fernanda Gentil, a Globo apostou em um game show que misturava provas físicas e desafios em grupo. O programa, no entanto, foi considerado confuso e pouco dinâmico, resultando em rejeição quase imediata.
A audiência chegou a colocar a Globo em quarto lugar, e episódios gravados nem chegaram a ser exibidos.
Minha Mãe Cozinha Melhor Que a Sua – 2023
O talent show culinário, apresentado por Leandro Hassum e com Paola Carosella e João Diamante no júri, era inspirado em quadros de sucesso de outras emissoras. Na estreia, já recebeu críticas pesadas sobre a condução e a falta de originalidade.
A repercussão foi baixa e a audiência não engrenou, ficando atrás até do “Globo Rural” em popularidade. Sem segunda temporada, encerrou com apenas 12 episódios.
O saldo dos erros da Globo
A trajetória desses programas mostra que até a maior emissora do país erra a mão. Em muitos casos, o problema foi a execução falha, a escolha de horários ingratos, a falta de foco ou formatos que não dialogavam com o público.
Outros sofreram por estarem à frente de seu tempo ou por não conseguirem enfrentar a concorrência direta. Seja qual for o motivo, todos se tornaram parte da lista de apostas que a Globo preferia esquecer, mas que o público não deixa de lembrar como exemplos de que nem sempre inovação significa sucesso.





