Inicialmente reconhecido como um problema ambiental, o plástico passou a ser preocupação à saúde humana após a detecção de partículas em órgãos e tecidos como cérebro, artérias, placentas, rins, fígados, pulmões e testículos, além da circulação sanguínea.
Estudos recentes reforçam essa realidade: em 2024, o New England Journal of Medicine identificou microplásticos em placas ateroscleróticas de artérias carótidas, associando-os a maior risco de infarto, AVC e mortalidade em até 34 meses. Outro trabalho na Nature Medicine confirmou essas partículas em cérebros, rins e fígados, destacando o polietileno como predominante.
Impacto dos microplásticos
- Exposição humana a micro e nanoplásticos ocorre principalmente por: Ingestão alimentar; inalação; possível absorção cutânea
- Fontes de microplásticos no ambiente: Alimentos; água potável; ar (proveniente do desgaste de pneus, emissões industriais e resuspensão de resíduos no solo)
- Efeitos potenciais identificados em estudos laboratoriais: Inflamações crônicas; alterações hormonais; toxicidade nos sistemas nervoso e imunológico
- Composição química dos microplásticos inclui aditivos como: Plastificantes e retardadores de chama. Os impactos desses compostos ainda estão sendo investigados.
- Medidas para mitigação dos impactos: Redução do uso de plásticos descartáveis; desenvolvimento de alternativas biodegradáveis; ampliação da educação ambiental; responsabilização da indústria ao longo do ciclo de vida dos materiais plásticos
O que dizem os órgãos competentes?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os microplásticos como contaminantes emergentes, recomendando o aprofundamento das pesquisas para ampliar o entendimento dos riscos à saúde, além da implementação de estratégias para reduzir a exposição da população. Embora os dados ainda sejam preliminares, a presença generalizada dessas partículas em tecidos humanos representa uma preocupação válida.
No campo regulatório, apesar dos progressos obtidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos e seus sistemas de certificação empresarial, a resposta global permanece insuficiente. Países como o Brasil ainda não ratificaram o Tratado Global do Plástico, atualmente em negociação nas Nações Unidas, evidenciando a urgência de adoção de políticas mais efetivas para combater os desafios da poluição por plástico.






