A Meta, dona do WhatsApp, anunciou nesta terça-feira (5) um novo marco na luta contra crimes digitais com mais de 6,8 milhões de contas fraudulentas foram desativadas somente no primeiro semestre de 2025.
A maioria dessas contas estava sendo operada por redes de golpes organizadas, especialmente no sudeste asiático, e tinham como objetivo enganar vítimas com promessas de dinheiro fácil, investimentos duvidosos e chantagens emocionais.
A operação reforça o papel das big techs na segurança digital e mostra a crescente sofisticação dos esquemas online.
O que motivou o bloqueio de contas
Segundo Clair Deevy, diretora de assuntos externos do WhatsApp, a equipe da Meta identificou os perfis criminosos antes mesmo que fossem utilizados. Isso foi possível por meio de tecnologias de monitoramento automatizado, análise de padrões de comportamento e denúncias de usuários.
Muitos desses números eram recém-criados e utilizavam prefixos incomuns ou regionais, geralmente com frequência anormal de mensagens ou com conteúdos semelhantes enviados em massa. Esses indícios ativaram os sistemas de alerta da empresa.
Golpes mais comuns detectados
De acordo com a Meta, os golpes seguiam padrões repetitivos e reconhecíveis, ainda que adaptados aos contextos locais. Alguns dos principais esquemas detectados incluem:
- Falsas promessas de investimento em criptomoedas, com promessas de lucros em poucos dias.
- Pirâmides financeiras travestidas de negócios legítimos, muitas vezes com uso de celebridades ou influenciadores falsos.
- Mensagens urgentes cobrando valores de contas supostamente atrasadas, com links maliciosos.
- Convites para grupos de “renda extra” que exigem pagamento antecipado para acesso.
Golpes com uso de inteligência artificial
Um dos casos mais sofisticados foi rastreado até o Camboja. Nele, criminosos utilizaram o ChatGPT da OpenAI para redigir mensagens persuasivas que levavam a links do WhatsApp, onde as vítimas eram atraídas por propostas de trabalho remoto, investimentos ou transferências falsas.
Essa parceria entre Meta e OpenAI resultou no encerramento do esquema antes que ele se disseminasse de forma massiva.
Nova camada de proteção
Para reforçar a proteção do usuário, o WhatsApp implementou um novo recurso: os resumos de segurança em grupos. Essa função alerta sempre que o usuário é adicionado a grupos por números desconhecidos ou suspeitos, fornecendo:
- Informações sobre quem criou o grupo
- Dicas para identificar possíveis golpes
- Botão para sair imediatamente do grupo
Essa iniciativa visa evitar que as pessoas sejam incluídas sem consentimento em grupos usados como iscas para fraudes em massa.
Sinais de alerta para evitar cair em golpes
O WhatsApp publicou uma lista de comportamentos suspeitos que devem ser considerados sinais vermelhos:
- Mensagens de números desconhecidos com tom de urgência
- Propostas de ganhos altos e fáceis, geralmente com necessidade de pagamento inicial
- Links encurtados ou com nomes estranhos
- Grupos com muitos membros desconhecidos e ausência de moderadores identificáveis
- Apelos emocionais ou ameaças, como “sua conta será suspensa se não pagar agora”
A iniciativa da Meta mostra um avanço importante na responsabilidade das plataformas sobre os conteúdos e usuários que elas abrigam. No entanto, especialistas alertam que o combate aos golpes digitais exige uma ação coordenada entre empresas, autoridades policiais, legisladores e a sociedade civil.





