Estudos recentes trouxeram à tona um paradoxo surpreendente: mesmo vivendo em cidades banhadas pelo sol, muitos brasileiros, especialmente idosos, apresentam níveis insuficientes de vitamina D.
A pesquisa, conduzida em 2022 por cientistas da Fiocruz Bahia, analisou moradores de Salvador, Curitiba e São Paulo e revelou que a deficiência dessa vitamina é um problema significativo, mesmo durante o verão, quando se espera que a exposição solar natural seja suficiente para suprir as necessidades do organismo.
Um outro estudo, do ano passado, também de brasileiros, publicado pela revista Ciência e Saúde Coletiva, também demonstrou resultados semelhantes, confirmando que idosos de regiões ensolaradas também apresentam insuficiência e deficiência dessa vitamina.
Mesmo em regiões ensolaradas, idosos brasileiros sofrem com baixos níveis de vitamina D
O levantamento da Fiocruz Bahia, considerado o primeiro de grande escala a investigar os níveis de vitamina D em uma população saudável no Brasil, envolveu mais de mil voluntários.
Os resultados mostraram que cerca de 15% dos participantes tinham deficiência severa da vitamina (abaixo de 20 ng/mL) e mais da metade estava em situação de insuficiência (abaixo de 30 ng/mL).
Cidades como São Paulo e Curitiba apresentaram índices ainda mais preocupantes, com a expectativa de agravamento nos meses de inverno. A pesquisa destacou fatores como maior índice de massa corporal (IMC), latitude e baixa exposição ao sol como elementos que aumentam o risco de deficiência.
A vitamina D exerce um papel essencial na manutenção da saúde óssea, muscular e imunológica. Sua ação no metabolismo do cálcio garante a resistência dos ossos e previne doenças como a osteoporose, condição que afeta principalmente os idosos e aumenta o risco de fraturas.
Além disso, a vitamina D está envolvida em processos neurológicos e imunológicos, sendo considerada por muitos especialistas mais do que uma simples vitamina, mas um hormônio com múltiplas funções no corpo.
Como estimular a produção de vitamina D?
Embora a exposição ao sol continue sendo a forma mais eficiente de estimular a produção natural da vitamina D, fatores como envelhecimento da pele, uso excessivo de roupas, horários inadequados de exposição e barreiras como janelas e poluição limitam essa absorção.
Para idosos, a recomendação é buscar o sol entre 10h e 15h, por cerca de 15 a 30 minutos, sempre com orientação médica para equilibrar os riscos de excesso de radiação.
Além do sol, a alimentação é uma aliada, embora limitada. Peixes gordurosos, gemas de ovo, fígado e alguns cogumelos fornecem pequenas quantidades da vitamina. Em países com políticas de fortificação de alimentos, como Canadá e Finlândia, o problema é mitigado, algo que ainda não acontece no Brasil.
Por isso, a conscientização sobre a importância da vitamina D e o monitoramento médico são fundamentais para prevenir complicações, principalmente entre os mais velhos.





