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Metade das pessoas erra ao tentar identificar imagens criadas por IA

Por Leticia Florenço
03/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Inteligência Artificial - Reprodução/Unsplash

Inteligência Artificial - Reprodução/Unsplash

As imagens geradas por inteligência artificial (IA) estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano, de memes nas redes sociais a obras hiper-realistas que circulam em campanhas publicitárias, fake news e até arte digital.

Mas até que ponto conseguimos diferenciá-las das imagens reais? Uma pesquisa recente conduzida pela Microsoft revelou um dado alarmante: a maioria das pessoas simplesmente erra. Em um jogo interativo criado para medir essa habilidade, a média de acerto foi de apenas 62%. V

Um teste para colocar o olhar humano à prova

O experimento foi batizado de “Real or Not”, um quiz online lançado pela Microsoft em 2024. A proposta é simples, o usuário vê uma imagem e deve decidir se ela é verdadeira ou criada por IA.

Com mais de 287 mil avaliações coletadas e 12.500 participantes ao redor do mundo, o estudo compilou dados robustos para uma pergunta aparentemente banal, mas essencial em tempos digitais, podemos confiar naquilo que enxergamos?

Se uma pessoa decidir entre “real” ou “IA” jogando uma moeda para o alto, tem 50% de chance de acerto. Pois bem, o estudo mostra que a média das pessoas ficou apenas 12 pontos acima disso, com 63% de acerto nas imagens falsas e 59% nas imagens reais.

Em termos estatísticos, isso representa uma vantagem insignificante. Em termos sociais, representa uma crise de percepção.

Rostos humanos

O estudo trouxe uma constatação interessante: rostos humanos são mais fáceis de identificar como reais ou falsos. A taxa de acerto nesse tipo de imagem foi de 65%, enquanto fotos de objetos (62%) e paisagens (59%) ficaram abaixo.

Esse dado encontra explicação em um conceito da neurociência e da robótica chamado “Vale da Estranheza”, ou uncanny valley, em inglês. Trata-se de uma sensação de desconforto que sentimos diante de representações quase humanas, mas não perfeitas.

A hipótese é que nosso cérebro é treinado evolutivamente para reconhecer rostos e suas sutilezas, como microexpressões, simetria facial e textura da pele. Um leve erro nesses detalhes pode acionar um “sinal de alarme” no nosso subconsciente.

Já com paisagens…

A habilidade de reconhecer imagens naturais ou urbanas criadas por IA foi significativamente menor. Com apenas 59% de acerto nas fotos de natureza, ficou evidente que elementos como árvores, nuvens, montanhas e iluminação incomum enganam com mais facilidade.

Isso ocorre porque nosso cérebro não exige tanta precisão para analisar paisagens quanto exige para detectar rostos. Uma árvore com galhos irreais ou sombras incoerentes em uma rua fictícia muitas vezes não são notados, principalmente em uma visualização rápida ou desatenta.

IA está vencendo a batalha da ilusão

A Microsoft destaca que a evolução dos modelos de IA generativa tem sido tão rápida que as imagens criadas hoje já são consideravelmente melhores do que as analisadas no estudo.

Em outras palavras, se o teste fosse aplicado novamente agora, a capacidade humana de detectar falsificações poderia ser ainda menor. Isso aponta para um futuro em que a distinção entre “real” e “gerado” será praticamente invisível aos nossos olhos.

Apenas outra IA pode salvar os humanos

Se o ser humano comum está mal equipado para detectar imagens geradas por IA, a solução pode estar justamente em outra inteligência artificial.

Os pesquisadores da Microsoft revelaram que estão desenvolvendo uma ferramenta automatizada de detecção, com precisão superior a 95%. Essa IA é treinada para encontrar distorções ou padrões que escapam à percepção humana, como erros de iluminação, reflexos impossíveis ou artefatos digitais.

Selo de IA

Diante desse cenário de confusão visual, algumas plataformas estão tentando promover mais transparência. O Instagram, por exemplo, passou a rotular imagens geradas por IA com notificações explícitas, alertando os usuários sobre o uso da tecnologia.

Essa prática também está sendo discutida em outras plataformas e veículos de mídia como uma forma de proteger o público da desinformação.

Além disso, os pesquisadores sugerem que credenciais digitais, marcas d’água invisíveis e metadados embutidos podem se tornar essenciais para manter a confiança nas imagens digitais, principalmente em contextos jornalísticos e científicos.

Reconhecer que somos facilmente enganados por imagens artificiais é o primeiro passo para desenvolver mecanismos, técnicos, sociais e educacionais, que nos permitam viver com mais consciência crítica nesse novo ambiente visual.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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