Uma colaboração internacional entre pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revelou um fenômeno surpreendente sobre as estrelas no coração da Via Láctea.
O estudo aponta que certas estrelas situadas no centro galáctico podem alcançar uma espécie de “imortalidade” ao utilizar matéria escura como fonte de energia.
Esse comportamento permitiria que esses astros mantivessem sua luminosidade e estrutura por muito mais tempo do que seria possível apenas com a fusão nuclear tradicional.
Estudo descobre estrelas imortais no centro da Via Láctea
A matéria escura, uma forma ainda enigmática de matéria que não interage diretamente com a luz, está presente em grande quantidade no núcleo da nossa galáxia. Segundo os cientistas, essa abundância cria as condições ideais para que estrelas ali localizadas possam capturar partículas dessa substância.
O estudo, publicado na revista Physical Review D, baseou-se em simulações computacionais que mostram o que ocorre quando partículas de matéria escura colidem com o interior de um desses astros.
Quando uma dessas partículas atravessa uma estrela, ela pode perder velocidade ao interagir com núcleos atômicos no plasma estelar. Ao perder energia, essa partícula pode ficar presa no interior do corpo celeste, onde se acumula ao longo do tempo.
A partir de uma certa concentração, ocorre um processo de aniquilação mútua entre essas partículas, um fenômeno previsto por algumas teorias da física de partículas, que gera uma liberação adicional de energia.
Essa energia extra atua como um suplemento ao combustível convencional da estrela, retardando seu envelhecimento.
Teoria poderia responder 2 mistérios sobre as estrelas
Esse mecanismo, segundo os autores, pode resolver dois antigos mistérios da astrofísica: o motivo pelo qual algumas estrelas próximas ao centro galáctico parecem mais jovens do que sua massa indicaria e a escassez desses tipos de astros mais antigos nessa região.
Com a energia gerada pela aniquilação da matéria escura, as estrelas poderiam continuar brilhando intensamente mesmo após esgotarem o hidrogênio necessário para a fusão nuclear, essencialmente prolongando sua vida útil de forma significativa.
É importante destacar que, apesar dos resultados promissores, os pesquisadores lembram que as conclusões se baseiam em hipóteses teóricas amplamente aceitas, mas ainda não comprovadas.
O próximo passo é obter dados observacionais mais precisos, especialmente com telescópios de alta resolução voltados ao centro da galáxia.
Essas informações podem confirmar quais estrelas estão se beneficiando da matéria escura, e se, de fato, há astros que desafiam o envelhecimento cósmico.






