O Exército de Israel (IDF) informou que implementará uma “pausa tática” diária em determinadas zonas da Faixa de Gaza com o propósito de ampliar o acesso da ajuda humanitária à população afetada por uma severa crise de escassez de alimentos. A suspensão das atividades militares ocorrerá entre 10h e 20h (horário local) em áreas populosas, incluindo Al-Mawasi, Deir al-Balah e setores da Cidade de Gaza.
De acordo com as autoridades israelenses, essas localidades não estão atualmente sob operações militares ativas. Para reforçar a entrega de assistência, também foram definidas rotas de passagem seguras para os comboios das Nações Unidas, com funcionamento das 6h às 23h, favorecendo a distribuição de mantimentos, água potável e remédios às comunidades necessitadas.
Pausas decretadas por Israel
A decisão israelense ocorre sob forte pressão internacional e diante de críticas de organizações humanitárias que denunciam o agravamento da crise alimentar em Gaza. Segundo o Programa Mundial de Alimentos (WFP), cerca de 470 mil pessoas enfrentam insegurança alimentar em níveis equivalentes à fome aguda, com diversas mortes por desnutrição, especialmente entre crianças.
Apesar das pausas táticas anunciadas, agências da ONU alertam que a ajuda humanitária continua insuficiente. Estima-se que seriam necessários ao menos 100 caminhões por dia para suprir as necessidades básicas da população, mas apenas cerca de 60 têm conseguido entrar em Gaza, enfrentando ainda saques e obstáculos logísticos nas áreas de distribuição.
Outras medidas e críticas
Como forma de ampliar a resposta, Israel retomou lançamentos aéreos de ajuda, em parceria com países como Jordânia e Emirados Árabes Unidos. Além disso, uma estação de dessalinização conectada à rede elétrica israelense foi reativada, permitindo o fornecimento de água potável para aproximadamente 900 mil pessoas no território.
Ainda assim, especialistas e organizações humanitárias consideram essas medidas insuficientes diante das barreiras estruturais que dificultam o acesso pleno da ajuda à população de Gaza, especialmente devido ao bloqueio imposto por Israel desde 2023, parcialmente restabelecido em março de 2025.






