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Suplemento de vitamina D e ômega 3 é suspenso pela Anvisa às pressas

Por Leticia Florenço
25/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Vitamina - Reprodução/Unsplash

Vitamina - Reprodução/Unsplash

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em caráter emergencial, a suspensão de oito lotes do suplemento D-Ômega, combinação de vitamina D com ômega 3, fabricado pela DVN Pharma.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (23/7) e exige a interrupção imediata da comercialização, distribuição e uso dos lotes 706200124, 706200225, 706200325, 706200425, 706200525, 706800125, 706800225 e 706800325.

A decisão foi motivada por erros na declaração do prazo de validade nos rótulos dos produtos, um fator que, embora pareça técnico, carrega sérios riscos à saúde pública.

Validade errada pode representar risco grave

De acordo com a Anvisa, o erro na validade pode comprometer diretamente a segurança e eficácia do suplemento. A ingestão de produtos fora do prazo pode gerar efeitos colaterais, principalmente em compostos como o ômega 3, que sofre oxidação com o tempo, liberando substâncias potencialmente tóxicas ao organismo.

Já a vitamina D, instável ao longo do tempo, perde a potência de ação, o que é particularmente perigoso para pessoas com deficiência nutricional ou condições médicas que exigem sua suplementação contínua.

Fabricante reconheceu o erro e iniciou o recolhimento

A falha nos rótulos foi identificada pelo próprio fabricante, que notificou voluntariamente a Anvisa e deu início ao processo de recolhimento dos lotes.

Apesar da iniciativa positiva da empresa, a Anvisa optou por reforçar a medida com a suspensão oficial, como forma de garantir maior controle, responsabilização e rastreabilidade no processo.

Fiscalização intensa e número recorde de suspensões

A suspensão do D-Ômega faz parte de uma onda de ações rigorosas da Anvisa em 2025, que já resultaram em mais de 100 marcas punidas em diferentes categorias. O foco principal está na proteção do consumidor diante de:

  • Falta de controle sanitário
  • Presença de microrganismos patogênicos
  • Adulterações ou fraudes
  • Alegações terapêuticas não autorizadas
  • Rótulos enganosos e produtos falsificados

Produtos populares como cafés, azeites, suplementos, xaropes e molhos foram alvos de recolhimentos por motivos que vão desde substâncias não declaradas até contaminações sérias, como bactérias e toxinas perigosas.

Suplementos em evidência

O setor de suplementos alimentares no Brasil movimenta mais de R$ 6 bilhões por ano, com crescimento impulsionado por consumidores em busca de saúde, longevidade e bem-estar. Itens como colágeno, ômega 3 e vitaminas A, C, D e E estão entre os mais vendidos.

Esse crescimento acelerado, no entanto, atraiu empresas despreparadas, muitas delas operando sem estrutura adequada ou sob falsas promessas de cura e emagrecimento milagroso.

A falta de padronização e controle entre as marcas torna o cenário ainda mais desafiador para os órgãos fiscalizadores, exigindo ações mais assertivas da Anvisa e maior atenção por parte dos consumidores.

Produtos e marcas punidos recentemente pela Anvisa

Entre os exemplos mais populares de 2025, destacam-se:

  • Whey Protein Piracanjuba (chocolate) – contaminado com Staphylococcus aureus
  • Toda a linha Power Green – uso de ingredientes proibidos
  • Suplementos com ora-pro-nóbis – planta ainda não autorizada para suplementos
  • Linha Mushdrops (cogumelos) – ausência de registro sanitário
  • Canela-da-China (marca Kinino) – adulteração com materiais estranhos
  • Sorvetes AICE – não declaravam alérgenos e corantes
  • Cafés falsificados (Master Blends, Melissa, Pingo Preto) – presença de ocratoxina A
  • Azeites “fake” (La Ventosa, Serrano, Málaga etc.) – origem duvidosa, CNPJ irregular

Esses casos revelam um padrão recorrente de irregularidades, onde o lucro rápido se sobrepõe à segurança e à saúde dos consumidores.

Riscos invisíveis

A principal ameaça não está visível. Está nos detalhes do rótulo, nas promessas exageradas, nos ingredientes omitidos, nos registros que faltam. Por isso, a Anvisa alerta que o consumidor deve:

  • Conferir o registro no site da Anvisa
  • Desconfiar de promessas de cura rápida
  • Evitar compras de marcas desconhecidas em sites não confiáveis
  • Verificar prazos de validade e procedência

Produtos vendidos sem rastreabilidade clara ou que alegam benefícios sem comprovação científica devem ser evitados a todo custo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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