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Três supermercados da mesma rede vendiam carnes vencidas

Por Leticia Florenço
25/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Uma operação de fiscalização realizada nesta segunda-feira (21) expôs graves irregularidades sanitárias e comerciais em três supermercados da mesma rede, localizados no município de Cariacica, no Espírito Santo.

A ação conjunta entre a Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), o Procon-ES e a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa resultou na apreensão de mais de uma tonelada de produtos vencidos, mal armazenados e impróprios para o consumo.

O caso acendeu um alerta para os riscos aos quais os consumidores estão expostos quando práticas ilegais ou negligentes se instauram no cotidiano do comércio alimentar.

Carne vencida à venda

A principal denúncia que levou à operação dizia respeito à comercialização de carnes vencidas. Nos três supermercados vistoriados, foram encontrados cortes de carne com prazos de validade expirados, além de sinais visíveis de deterioração, como odor forte, coloração escurecida e embalagens comprometidas.

Especialistas alertam que o consumo de carne estragada pode causar intoxicações alimentares graves, infecções bacterianas como salmonela e até levar a quadros severos de hospitalização, especialmente em idosos, crianças e pessoas imunocomprometidas.

Produtos de limpeza falsificados

Além dos alimentos vencidos, outro fator alarmante foi a descoberta de 700 produtos falsificados, entre eles embalagens adulteradas de sabão em pó da marca Omo. Esses itens, muitas vezes produzidos em condições clandestinas, podem conter fórmulas inadequadas ou até mesmo tóxicas.

Produtos de limpeza falsificados representam riscos múltiplos: desde irritações cutâneas e problemas respiratórios até a ineficiência na desinfecção de ambientes, o que, em tempos de vigilância sanitária, pode facilitar a proliferação de vírus e bactérias.

Investigação partiu de denúncias de consumidores

A operação foi fruto de um trabalho de inteligência baseado em denúncias formais feitas por clientes insatisfeitos. Consumidores relataram más condições de armazenamento, prateleiras com produtos fora da validade e aparência duvidosa em carnes e frios.

A Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), com apoio do Procon-ES, deu início à fiscalização minuciosa após identificar que as três unidades pertenciam à mesma rede de supermercados, o que indica uma possível prática sistemática de negligência ou má-fé empresarial.

Durante a ação, os agentes também encontraram produtos com embalagens abertas ou violadas, itens sem identificação de origem e sem notas fiscais, o que fere diretamente normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e configura crime contra as relações de consumo.

Em ambientes como supermercados, que lidam com alta rotatividade e grande volume de vendas, o controle rigoroso sobre validade, procedência e integridade das embalagens é um dever legal e ético. A negligência nesse processo representa não apenas infração administrativa, mas também crime sanitário.

Como agir diante de irregularidades

Consumidores têm papel fundamental na fiscalização informal do mercado. Ao identificar produtos vencidos, mal armazenados ou com sinais de falsificação, é essencial registrar fotos e realizar denúncias aos canais oficiais, como:

  • Procon Estadual
  • Delegacia do Consumidor (Decon)
  • Ouvidorias municipais e plataformas digitais de denúncia

Guardar nota fiscal e, se possível, fotografar o item no ponto de venda são atitudes que fortalecem a investigação e ajudam a evitar que outros consumidores sejam lesados.

O caso de Cariacica pode ser apenas a ponta do iceberg de um problema mais amplo, e cabe às autoridades aprofundarem as investigações e responsabilizarem exemplarmente os envolvidos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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