Em um movimento que surpreendeu o cenário esportivo brasileiro, o atacante Rony, um dos principais nomes do Atlético, entrou na Justiça do Trabalho com um pedido de rescisão de contrato.
O caso, segundo informações confirmadas pelo empresário do jogador, foi o descumprimento de obrigações financeiras por parte do clube. Ainda que o Atlético reconheça apenas dois dias de atraso nos direitos de imagem, a decisão do atleta de buscar a Justiça escancara um cenário mais complexo do que aparenta.
De acordo com Hércules Júnior, empresário de Rony, diversas tentativas de acordo foram realizadas com a diretoria do clube. No entanto, todas se mostraram infrutíferas. Sem obter retorno satisfatório, a equipe do jogador decidiu acionar a Justiça, ainda que o processo corra em segredo.
O silêncio adotado por ambas as partes agora parece ser uma estratégia para evitar o desgaste público enquanto a disputa se desenrola nos bastidores jurídicos.
A resposta do clube
Em nota oficial divulgada nas redes sociais, o Atlético alegou que desconhece os pedidos feitos por Rony na Justiça. Afirmou ainda que todos os salários regidos pela CLT estão em dia, e que apenas uma parcela dos direitos de imagem, atrasada em dois dias, está pendente.
O clube adotou um tom defensivo, destacando que aguarda mais detalhes do processo para tomar as “medidas necessárias e cabíveis”.
O comunicado tenta reduzir a gravidade da situação, mas o gesto do atacante de se despedir de companheiros e funcionários ainda na terça-feira (22) indica que a ruptura pode ser definitiva.
O que diz a nova Lei Geral do Esporte
A Lei nº 14.597/2023, que rege os direitos e deveres dos profissionais do esporte no Brasil, determina que um atleta pode pedir a rescisão indireta do contrato, uma espécie de “justa causa” do empregado contra o empregador, caso os vencimentos estejam atrasados por dois meses ou mais.
No entanto, o ponto de conflito neste caso específico é que o Atlético admite apenas dois dias de atraso em parte dos direitos de imagem. Isso levanta uma questão importante: o jogador poderia pedir a rescisão sem que o clube esteja tecnicamente em descumprimento da lei?
Especialistas em direito esportivo apontam que a repetição de pequenos atrasos, mesmo que inferiores a dois meses, pode configurar descumprimento contratual se houver reincidência ou má-fé.
A Justiça poderá analisar o histórico de pagamentos e os documentos apresentados por ambas as partes antes de decidir se a rescisão será ou não válida.
Um investimento milionário ameaçado
Rony foi contratado pelo Atlético no início do ano por 6 milhões de euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 35,9 milhões. Com vínculo assinado até dezembro de 2027, o atacante vinha sendo peça importante na campanha do clube, acumulando 10 gols em 29 partidas.
A eventual saída do jogador representaria não só uma perda técnica, como também um prejuízo financeiro considerável.
Além disso, se a Justiça reconhecer a rescisão como indireta, o clube poderá ser obrigado a liberar o atleta sem receber qualquer valor de indenização, o que transformaria o investimento em um enorme passivo.
Repercussões no elenco e no ambiente interno
Internamente, a saída repentina de Rony causou um abalo no ambiente do vestiário. O jogador, segundo relatos, se despediu de colegas e membros da comissão técnica sem clima de hostilidade, mas com um ar de frustração.
O Atlético aguarda os próximos desdobramentos judiciais, enquanto a equipe de Rony aguarda a oficialização da rescisão para buscar novos destinos para o atleta, que, a essa altura, já atrai olhares de outros clubes no Brasil e no exterior.






