Um registro inédito da natureza surpreendeu especialistas e apaixonados por vida selvagem: pela primeira vez, um quoll oriental, o único marsupial conhecido que brilha no escuro, foi fotografado emitindo luz em estado selvagem.
A façanha foi realizada pelo fotógrafo australiano Benjamin Alldridge, que compartilhou as imagens em suas redes sociais e detalhou a experiência no blog Fluroscape, voltado à documentação de fenômenos biofluorescentes.
Único marsupial que brilha no escuro é fotografado pela primeira vez
O marsupial em questão é o quoll oriental da Tasmânia (Dasyurus viverrinus), um pequeno predador noturno nativo da Austrália, parente próximo do diabo-da-tasmânia.
Esses marsupiais, atualmente ameaçados, são difíceis de encontrar em seu habitat natural, especialmente devido ao declínio populacional no continente australiano.
Na Tasmânia, onde ainda sobrevivem em número relativamente maior, eles se abrigam durante o dia e caçam à noite, movendo-se com cautela pela mata fechada.
O brilho emitido pelos quolls é resultado de um fenômeno chamado biofluorescência.
Diferente da bioluminescência, que gera luz por reações químicas, a biofluorescência ocorre quando o corpo do animal absorve luz ultravioleta e a reemite em um comprimento de onda visível, criando um efeito brilhante perceptível sob iluminação específica.
Embora já houvesse registros desse tipo de brilho em quolls mantidos em cativeiro, até agora não havia qualquer imagem comprovando esse comportamento no marsupial selvagem, ou seja, aqueles que vive livre na natureza.
Fotografo contou como foi seu encontro com o marsupial
De acordo com Alldridge, o encontro aconteceu durante uma viagem solitária pelo sudoeste da Tasmânia, em uma região remota e fria. Próximo a uma fogueira apagada, ele percebeu movimentos sutis entre as árvores — era uma família de quolls.
O fotógrafo manteve a calma e esperou. Em pouco tempo, os animais se aproximaram com curiosidade e, após algumas horas, já circulavam livremente ao redor dele, permitindo o clique histórico.
Para capturar as imagens, Alldridge utilizou dois modelos de câmeras profissionais, uma Sony ILCE-7M3 e uma Canon EOS 5D Mark IV, combinadas com lentes de grande abertura e foco manual.
A iluminação foi feita com luz ultravioleta cuidadosamente calibrada, garantindo que o brilho fosse registrado com fidelidade, sem causar estresse aos animais. Ele alerta que o uso desse tipo de luz exige conhecimento técnico e respeito aos princípios de observação ética da vida selvagem.
As fotos não só comprovam o fenômeno no ambiente natural, como também representam um marco na documentação científica de espécies biofluorescentes. Veja aqui os registros divulgados no Instagram de Benjamin Alldridge.






