A América Latina vivenciou um avanço pioneiro na neurocirurgia funcional com a realização, pela primeira vez na região, de uma cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) para tratar depressão resistente. O procedimento inovador foi realizado no Hospital Internacional da Colômbia, em Bucaramanga, sob a coordenação do neurocirurgião William Omar Contreras.
A intervenção envolveu a implantação de quatro eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a um gerador pulsátil instalado no tórax da paciente, que emite impulsos elétricos para regular os circuitos neurais relacionados às emoções. A beneficiária desse tratamento foi Lorena Rodríguez, uma mulher colombiana de 34 anos, que enfrentava há anos sintomas graves de depressão sem resposta a métodos tradicionais.
Cirurgia contra depressão
A técnica tem como finalidade modular redes neurais relacionadas às emoções, buscando controlar sintomas persistentes de tristeza, apatia e ansiedade em pacientes que não respondem a tratamentos convencionais, como antidepressivos, psicoterapia, estimulação magnética ou eletroconvulsoterapia (ECT). Durante a cirurgia, a paciente permaneceu consciente, permitindo ajustes em tempo real na estimulação, o que garante maior precisão e personalização do tratamento.
Globalmente, cerca de um terço dos pacientes com depressão não obtém melhora com as terapias tradicionais, caracterizando a depressão resistente. Nesse cenário, a DBS surge como uma alternativa promissora, com estudos clínicos apontando resposta positiva entre 40% e 70% dos casos, e remissão em aproximadamente um terço dos pacientes.
No entanto, ensaios clínicos mais amplos ainda não alcançaram resultados definitivos, ressaltando a necessidade de avanços na escolha dos alvos cerebrais, na precisão da colocação dos eletrodos e na definição dos protocolos de estimulação.
Detalhes do procedimento
A DBS, já empregada no tratamento de distúrbios do movimento como Parkinson, tem ganhado destaque por sua capacidade de modular diretamente circuitos emocionais afetados em quadros psiquiátricos refratários. Estudos indicam que áreas como o córtex cingulado subgenual (SCC), núcleo accumbens (NAc), feixe medial do prosencéfalo (MFB) e cápsula ventral/estriato ventral (VC/VS) são alvos eficazes para melhorar o metabolismo cerebral e a atividade das redes ligadas ao sistema de recompensa e ao bem-estar emocional.
Embora ainda não possua aprovação formal de órgãos regulatórios como a FDA para depressão resistente, o uso controlado da DBS em ambientes clínicos especializados tem demonstrado resultados duradouros, trazendo esperança de tratamentos sustentáveis a longo prazo, sobretudo para pacientes crônicos que enfrentam grande impacto na qualidade de vida.





