Nos últimos anos, o aumento dos golpes contra idosos no Brasil tem causado preocupação e mobilizado autoridades, instituições financeiras e a sociedade civil.
Dados recentes apontam que Minas Gerais, por exemplo, passou de uma média de 4 idosos vítimas de golpes por dia para 38 casos diários, um salto de 850% em cinco anos.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG), os casos de estelionato contra pessoas com mais de 60 anos dispararam, passando de 4 para 38 ocorrências diárias.
Já em cenário nacional, o Disque 100, canal oficial de denúncias do governo federal, registrou 72 mil casos de golpes contra idosos em 2024, ou seja, um idoso é vítima a cada 10 minutos.
Golpes e tecnologia
O avanço tecnológico, que deveria facilitar a vida das pessoas, acabou também abrindo espaço para criminosos cada vez mais habilidosos.
Segundo Marcelo Barbosa, coordenador do Procon Assembleia, o uso da inteligência artificial (IA) para simular vozes e imagens é um dos grandes responsáveis pelo aumento das fraudes, enganando principalmente idosos que tendem a confiar nas comunicações.
Exemplos comuns incluem falsas centrais de atendimento, boletos fraudulentos, anúncios falsos com rostos de celebridades, e até golpes afetivos que exploram o emocional para extorquir dinheiro.
Vulnerabilidade dos idosos
Muitos idosos possuem pouca familiaridade com tecnologias digitais e ficam isolados socialmente, especialmente após a pandemia. Isso aumenta a vulnerabilidade a contatos telefônicos fraudulentos e a armadilhas online.
Além disso, vazamentos de dados pessoais, especialmente do INSS, facilitam a atuação dos golpistas que conseguem contratar empréstimos e fazer movimentações financeiras em nome das vítimas, como no caso de uma idosa de Belo Horizonte que viu parte do seu benefício ser descontado indevidamente.
Falhas institucionais e o “mercado do empréstimo fraudulento”
Especialistas denunciam que algumas instituições financeiras fazem empréstimos sem autorização formal dos clientes idosos, prática considerada ilegal e abusiva.
A presidente do Comitê Técnico do Instituto Defesa Coletiva, Lillian Salgado, chama essa conduta de “amostra grátis” e ressalta que decisões judiciais têm respaldado ações coletivas contra os bancos que adotam essas práticas.
Desafios da inclusão digital para a terceira idade
Um dos principais obstáculos para a proteção dos idosos é a dificuldade de acesso e domínio das ferramentas digitais. Muitos não sabem agendar serviços online, como no INSS, ou não se sentem seguros para usar internet e aplicativos bancários.
Por isso, iniciativas de letramento digital, como o programa Meu+ do Banco Mercantil, que oferece cursos para pessoas acima dos 50 anos, são fundamentais para reduzir essa vulnerabilidade. Além do aprendizado tecnológico, esses cursos abordam medidas de segurança para evitar fraudes e golpes.
Além das instituições, familiares e amigos têm papel essencial na proteção dos idosos, ajudando-os a identificar sinais de golpes e apoiando na resolução de problemas financeiros e digitais. Um diálogo aberto e constante é a melhor arma contra os criminosos que se aproveitam da confiança e da falta de malícia.






