Adquirir um imóvel próprio é o sonho de muitos brasileiros, mas esse objetivo costuma esbarrar em um dos maiores desafios financeiros da vida adulta: juntar o valor da entrada.
Normalmente, esse montante equivale a pelo menos 20% do preço total do bem, podendo ultrapassar esse percentual dependendo do perfil de crédito do comprador ou da linha de financiamento.
Para muitos, isso representa a necessidade de juntar R$ 100 mil, ou mais, em poucos anos.
A meta
Estabelecer um valor-alvo e um prazo é o primeiro passo. Nesse caso, o objetivo é acumular R$ 100 mil em 36 meses. Para isso, é essencial definir uma estratégia de investimento que equilibre segurança, rendimento e liquidez.
O planejador financeiro Marcelo Bolzan simulou três cenários usando investimentos em renda fixa, bastante procurados por quem busca previsibilidade e baixo risco. As opções incluíram o Tesouro Selic, um CDB Prefixado com retorno de 14,30% ao ano e um CDB atrelado ao IPCA com retorno real de 8,3% ao ano.
Simulações
Confira quanto é necessário aplicar mensalmente para atingir o objetivo de R$ 100 mil em três anos em cada tipo de investimento:
- Tesouro Selic: R$ 2.351,87/mês
- CDB Prefixado (14,30% a.a.): R$ 2.334,55/mês
- CDB IPCA+ (IPCA + 8,3% a.a.): R$ 2.361,16/mês
A melhor alternativa, segundo Bolzan, é o CDB Prefixado. Com rendimento de 1,12% ao mês, ele oferece um retorno ligeiramente superior aos demais e tem a vantagem de manter uma taxa fixa, blindando o investidor contra quedas futuras da Selic.
Mas como todo investimento privado, ele envolve o risco da instituição emissora, o que exige atenção na hora da escolha.
Menos juros e parcelas menores
Juntar R$ 100 mil antes de financiar um imóvel pode fazer uma enorme diferença. Uma entrada robusta reduz drasticamente o valor que será financiado, o que se traduz em menos juros pagos ao longo dos anos. ]Além disso, bancos costumam oferecer taxas de financiamento mais atrativas para quem entra com mais de 20% ou 30% do valor do imóvel, tornando o negócio mais vantajoso.
Outro benefício relevante é a tranquilidade financeira. Parcelas menores significam menos comprometimento da renda, maior capacidade de poupança futura e uma margem de segurança para lidar com imprevistos sem recorrer ao endividamento.
Quando migrar de um investimento para outro?
Mesmo que o CDB Prefixado ofereça o melhor rendimento inicial, o planejador financeiro recomenda uma transição estratégica para o Tesouro Selic conforme o prazo para a compra do imóvel se aproxima.
Isso se deve à liquidez superior desse título público, que permite resgates rápidos em até um dia útil, ideal para evitar contratempos no momento de usar os recursos acumulados.
O impacto do Imposto de Renda
Todos os investimentos mencionados estão sujeitos à cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos, com alíquotas regressivas conforme o tempo de aplicação. Abaixo, o escalonamento:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Como o objetivo é de longo prazo (3 anos), a alíquota final será de 15%, o que reduz o impacto tributário nos ganhos.
Entenda melhor as opções de investimento
Tesouro Selic: Considerado o investimento mais seguro do Brasil, o Tesouro Selic é ideal para quem não quer correr riscos. Ele tem liquidez diária, proteção do governo federal e rendimento atrelado à taxa básica de juros da economia. A desvantagem é que se a Selic cair, os ganhos diminuem proporcionalmente.
CDB Prefixado: Essa aplicação oferece uma taxa definida no momento da contratação, como os 14,30% ao ano simulados. Isso garante previsibilidade e pode ser vantajoso em cenários de queda da Selic. O ponto de atenção está no risco da instituição emissora, ainda que esse risco seja mitigado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil.
CDB IPCA+: Nesse tipo de CDB, o rendimento é composto pela inflação (IPCA) mais uma taxa fixa. Ele protege o poder de compra do dinheiro investido, garantindo que o rendimento real seja positivo, independentemente do cenário inflacionário. Assim como o CDB prefixado, depende da solidez do banco emissor.
Cuidado com o banco emissor
Ao optar por CDBs, é fundamental verificar a classificação de risco da instituição financeira. Dê preferência a bancos com rating AAA, que indica alta confiabilidade. Os grandes bancos nacionais como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander geralmente têm esse selo de segurança.
Escolher o investimento certo pode fazer toda a diferença entre atingir o objetivo ou ficar pelo caminho. E, ao contrário do que muitos pensam, não é preciso ter uma fortuna para começar.





