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Tábua de plástico pode levar à ingestão de 10 cartões de crédito

Por Leticia Florenço
18/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Tábua de plástico - Reprodução/iStock

Tábua de plástico - Reprodução/iStock

Um estudo recente publicado na revista Environmental Science & Technology pela Universidade Estadual de Dakota do Norte trouxe à tona uma informação preocupante sobre o uso cotidiano de tábuas de corte plásticas.

A pesquisa revela que, dependendo do tipo de material, do estilo do corte, da força aplicada e da frequência de uso, tábuas feitas de polietileno e polipropileno podem liberar entre 14 e 79 milhões de microplásticos ao ano.

Em termos de peso, essa quantidade chega a aproximadamente 50,7 gramas, equivalente a cerca de 10 cartões de crédito. A seguir, detalhamos os principais pontos desse estudo e suas implicações.

Principais descobertas

Os pesquisadores simularam o uso intenso das tábuas, realizando 500 cortes diários, totalizando 128 mil cortes anuais, para analisar a liberação de microplásticos decorrentes do desgaste do material.

A variação na quantidade de partículas liberadas está relacionada a fatores como o tipo de plástico, o método do corte e a força aplicada, mostrando que diferentes hábitos e produtos podem alterar significativamente o nível de contaminação.

Origem dos microplásticos nas tábuas

O processo ocorre pelo atrito constante das facas contra a superfície da tábua. O desgaste mecânico promove a liberação de pequenas partículas plásticas invisíveis a olho nu, que se aderem aos alimentos ou ficam no ambiente da cozinha, tornando-se uma fonte diária de microplásticos ingeridos.

Embora o estudo não tenha encontrado efeitos tóxicos imediatos em testes laboratoriais, os cientistas alertam que a ingestão crônica dessas partículas ainda é uma preocupação em aberto.

A literatura científica aponta para a possibilidade de microplásticos se acumularem no organismo e causarem efeitos adversos a longo prazo, incluindo alterações no sistema imunológico, inflamações e até interferência hormonal.

As tábuas plásticas representam apenas uma das diversas fontes de microplásticos presentes no cotidiano. Esses fragmentos já foram detectados em alimentos, água potável, sal, ar e diversos outros produtos, indicando um problema ambiental e de saúde pública em escala global.

O uso de buchas abrasivas ou palhas de aço para limpar tábuas plásticas pode acelerar seu desgaste, aumentando a liberação de partículas. Além disso, tábuas com cortes profundos e desgastadas tendem a liberar mais microplásticos, ressaltando a importância de manutenção e troca periódica desses utensílios.

Alternativas mais seguras para a cozinha

Materiais como madeira, bambu e vidro apresentam menor risco de liberação de microplásticos. Além disso, tábuas de madeira possuem propriedades naturais antimicrobianas, enquanto o vidro é fácil de higienizar e não retém odores.

É importante escolher o tipo que melhor se adapta ao seu uso, sempre observando as recomendações de limpeza e manutenção para evitar outros riscos, como o crescimento de bactérias.

Para reduzir a ingestão de microplásticos provenientes das tábuas, recomenda-se substituir regularmente as tábuas plásticas muito usadas ou danificadas, evitar materiais abrasivos na limpeza, lavar bem os alimentos após o preparo, e alternar superfícies para diferentes tipos de alimento (carne, legumes, frutas) para evitar contaminações cruzadas.

A atenção a pequenos detalhes do dia a dia pode fazer grande diferença no combate a esse problema silencioso e crescente.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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