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Você está correndo perigo ao lavar o frango antes do cozimento

Por Leticia Florenço
18/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Lavando o frango - Reprodução/iStock

Lavando o frango - Reprodução/iStock

Lavar o frango antes de cozinhá-lo é uma prática bastante comum em muitos lares. Para algumas pessoas, parece uma medida higiênica óbvia, eliminar sujeiras visíveis, lavar os germes ou até mesmo seguir um costume aprendido com gerações anteriores.

Mas essa ação aparentemente inofensiva pode, na verdade, ser uma porta de entrada para sérios problemas de saúde. O alerta é antigo, mas segue sendo ignorado por uma parcela significativa da população, e as consequências podem ser perigosas.

Uma prática cotidiana que espalha bactérias invisíveis

Quando alguém coloca um pedaço de frango cru sob a torneira da pia, com o objetivo de limpá-lo, está na verdade criando um ambiente propício para a proliferação de bactérias como a Campylobacter, uma das principais causadoras de intoxicação alimentar no mundo.

O motivo é simples, ao lavar o frango, a água espirra e leva micro-organismos para outros lugares da cozinha, utensílios, roupas, mãos, bancadas e outros alimentos crus.

Essa contaminação cruzada é silenciosa. Uma faca usada depois da lavagem, um pano de prato deixado ao lado da pia ou até mesmo um tempero que fica exposto pode se tornar um vetor de infecção sem que ninguém perceba.

O alerta das autoridades de saúde

A Agência de Normas Alimentares do Reino Unido (FSA) já emitiu, há anos, um comunicado direto ao público: “Não lave o frango cru.” Apesar disso, o hábito persiste.

Uma pesquisa realizada pela FSA revelou que cerca de 44% das pessoas no Reino Unido continuam lavando o frango antes do cozimento. Os principais motivos citados? “Remover sujeiras”, “tirar o cheiro forte”, “matar germes” ou simplesmente “porque sempre foi assim”.

O problema é que, ao contrário do que muitos acreditam, o cozimento completo do frango é o único método eficaz para eliminar bactérias. Nenhuma quantidade de água da torneira é capaz de “lavar” as ameaças microscópicas que se escondem na carne crua.

Campylobacter

Entre os riscos associados ao consumo e manuseio inadequado do frango cru, a bactéria Campylobacter se destaca. Trata-se de uma das principais causadoras de enterite no mundo, uma inflamação do intestino delgado que pode levar a sintomas como:

  • Diarreia intensa, com ou sem sangue
  • Dores abdominais fortes
  • Náuseas e vômitos
  • Febre alta
  • Desidratação

O mais assustador? Em alguns casos, os sintomas não desaparecem por completo. Algumas pessoas desenvolvem sequelas como síndrome do intestino irritável, artrite reativa ou até mesmo a síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso e pode levar à paralisia.

Grupos de risco e casos graves

Nem todo mundo vai sofrer consequências severas após o contato com a Campylobacter, mas há grupos especialmente vulneráveis:

  • Crianças pequenas
  • Idosos
  • Pessoas imunossuprimidas (como pacientes com câncer, HIV ou transplantados)

Nesses grupos, a infecção pode ser mais agressiva, exigindo hospitalização ou, em casos extremos, levando à morte.

Tratamento

Não existe um medicamento específico de venda livre que elimine a infecção por Campylobacter. O tratamento, geralmente, envolve:

  • Reidratação constante, com água, soro e líquidos com eletrólitos
  • Alimentação leve e fracionada, priorizando alimentos ricos em potássio como banana, batata cozida e caldos
  • Descanso

É fundamental procurar um médico ao apresentar sintomas persistentes ou severos. Em alguns casos, antibióticos podem ser necessários, especialmente para pessoas em risco.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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