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Política tarifária de Trump tem mais idas e vindas do que parece

Por Leticia Florenço
16/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Donald Trump - Reprodução

Donald Trump - Reprodução

Desde o “Dia da Libertação” em abril, quando Donald Trump anunciou sua nova política tarifária com ares de cruzada econômica contra práticas comerciais consideradas injustas, o que se viu foi um emaranhado de decisões contraditórias, adiamentos e ajustes de última hora.

A cada nova medida, uma possível retração. A cada nova ameaça, um possível alívio. E assim, a política tarifária do ex-presidente, e pré-candidato nas eleições de 2024, foi ganhando desenvolvimento mais próximos de um tabuleiro de xadrez imprevisível do que de uma estratégia clara de Estado.

Tarifa hoje, exceção amanhã

A Forbes identificou ao menos 28 episódios em que Trump voltou atrás em suas próprias decisões. Em menos de quatro meses, o presidente norte-americano oscilou entre taxar duramente importações chinesas e europeias, isentar produtos tecnológicos, adiar sanções, reformular promessas, negar exceções e depois admiti-las.

Celulares, computadores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, semicondutores, todos foram alvos de políticas que duraram dias ou até mesmo horas.

Esse ritmo instável não só frustrou investidores e governos estrangeiros como confundiu sua própria base. Segundo analistas de Wall Street, o mercado passou a “precificar” a hesitação de Trump, o que explica a reação morna das bolsas aos seus anúncios mais recentes.

“TACO Trump”

O apelido “TACO Trump”, sigla para Trump Always Chickens Out (Trump sempre amarela), se tornou recorrente entre investidores, analistas e até membros do Partido Republicano.

Embora o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, tenha criticado o apelido como “ofensivo” e “infantil”, a verdade é que a frequência de alterações nas tarifas criaram uma atmosfera de incerteza crônica. Para muitos, essa volatilidade não representa flexibilidade estratégica, mas sim uma ausência de plano real.

Negociação ou improviso?

Trump e seus aliados defendem que os recuos fazem parte de uma sofisticada tática de negociação. Eles argumentam que ameaçar tarifas elevadas e depois recuar permite obter concessões em acordos bilaterais. Na prática, porém, diplomatas e economistas questionam essa versão.

Muitos apontam que as alterações constantes não têm um padrão lógico e são feitas sem consulta a órgãos técnicos, sem diálogo com parceiros e com baixa previsibilidade.

Em alguns casos, como com a China e a União Europeia, a falta de consistência acabou travando as negociações, ampliando o clima de incerteza e, em certos setores, paralisando investimentos.

Impactos para o Brasil e o cenário internacional

O Brasil aparece como um dos países diretamente atingidos pelas tarifas, principalmente nos setores de aço e produtos agrícolas.

Após críticas do BRICS às medidas protecionistas americanas, Trump reagiu com mais tarifas, numa decisão que afetou não só as relações diplomáticas como também compromissos comerciais em andamento.

Empresários brasileiros que exportam para os EUA relatam dificuldade em manter contratos estáveis, já que as regras mudam com frequência. O Itamaraty, por sua vez, intensificou os esforços de diálogo, mas enfrenta resistência de um governo americano que parece agir sob critérios unilaterais e, muitas vezes, impulsivos.

Justiça em jogo

Duas decisões judiciais já declararam ilegais as tarifas impostas no “Dia da Libertação”, apontando que Trump excedeu sua autoridade ao impor tributos sem aprovação legislativa.

Ainda assim, essas decisões estão suspensas em instâncias superiores, e o caso deve ter desdobramentos apenas após 31 de julho, quando está prevista uma audiência no tribunal de apelações.

A Suprema Corte, por ora, recusou o pedido para julgar o tema em caráter de urgência, o que significa que as tarifas continuam vigentes e suas regras permanecem sob constante mutação, até nova decisão judicial ou novo decreto presidencial.

Expectativas e incertezas

Faltando poucas semanas para o fim da suspensão das tarifas, ainda não se sabe exatamente quais produtos serão taxados, quais países serão alvos e quais exceções serão mantidas.

Trump sinalizou que tarifas de até 200% estão “em estudo” para setores como farmacêutico e de semicondutores, enquanto produtos infantis podem ser isentos, segundo análises em andamento.

Tudo isso, porém, depende de um jogo político em constante movimento. O mundo observa, o mercado se ajusta, e os países parceiros tentam, entre reuniões diplomáticas e declarações públicas, entender qual será o próximo passo de um presidente que anuncia uma coisa de manhã e revoga à noite.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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