Pesquisadores brasileiros revelaram a existência de uma ameaça até então pouco conhecida para o planeta Terra: asteroides que, embora compartilhem a órbita de Vênus, podem representar riscos reais de colisão no futuro.
A descoberta foi detalhada em um estudo publicado no fim de junho na revista científica Astronomy & Astrophysics, com participação de especialistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Cientistas descobrem ameaças ‘invisíveis’ para a Terra
Esses corpos celestes, chamados de asteroides coorbitais, seguem uma trajetória semelhante à de Vênus ao redor do Sol. Embora 20 desses objetos já tenham sido catalogados, os cientistas apontam que muitos outros ainda permanecem invisíveis aos telescópios atuais.
A principal razão é o formato de suas órbitas, que são mais circulares e menos excêntricas do que as dos asteroides mais conhecidos. Como não se aproximam tanto da Terra e refletem menos luz solar, eles acabam passando despercebidos pelos sistemas de observação.
O estudo, liderado pelo astrônomo Valerio Carruba, mostra que esses asteroides não pertencem ao tradicional Cinturão de Asteroides, localizado entre Marte e Júpiter.
Ao contrário, estão bem mais próximos da Terra, em uma ressonância com Vênus que os mantém em regiões de difícil detecção.
Com o auxílio de simulações computadorizadas, os pesquisadores identificaram que os asteroides coorbitais alternam suas órbitas em ciclos de aproximadamente 12 mil anos.
Durante essas transições, alguns deles podem se aproximar perigosamente da trajetória terrestre.
Asteroides podem representar risco para a Terra
As simulações indicam que, nesse intervalo de milênios, mesmo os asteroides atualmente visíveis podem se tornar ameaças concretas.
Quando cruzam a órbita da Terra a uma distância inferior a 0,05 unidades astronômicas — cerca de 7,5 milhões de quilômetros — a chance de impacto aumenta consideravelmente.
Em termos astronômicos, essa margem é considerada crítica, pois corresponde a um risco significativo em escalas de tempo geológicas.
O potencial destrutivo desses corpos é imenso. Segundo os autores, um impacto com um dos maiores desses asteroides poderia abrir crateras de até 4,5 quilômetros de diâmetro, liberando energia equivalente a centenas de megatoneladas de TNT. Tal evento seria suficiente para arrasar uma metrópole inteira.
Para enfrentar esse desafio, os cientistas sugerem o desenvolvimento de missões espaciais com telescópios especializados.
Apenas uma operação próxima à órbita de Vênus teria capacidade de identificar todos os asteroides ocultos que dividem essa região do espaço com o planeta vizinho.






