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Cientistas descobrem proteínas com 24 milhões de anos nos fósseis

Por Leticia Florenço
14/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: Ellen Miller/Handout via REUTERS

Foto: Ellen Miller/Handout via REUTERS

Enquanto o DNA antigo já revelou informações genéticas de organismos que viveram há até dois milhões de anos, as proteínas, moléculas essenciais para o funcionamento dos seres vivos, demonstraram uma durabilidade ainda maior.

Uma nova pesquisa internacional, publicada na revista Nature, conseguiu extrair e sequenciar proteínas de fósseis com até 24 milhões de anos, desafiando os limites do que se sabia possível na biologia molecular e abrindo novas portas para entender a história da vida na Terra.

Fósseis dentários revelam relíquias moleculares do passado

A equipe de pesquisadores analisou dentes fossilizados de rinocerontes, elefantes e hipopótamos extintos. As amostras foram obtidas em dois extremos climáticos: o congelante Ártico canadense e o escaldante Vale do Rift, no Quênia.

O achado mais antigo veio da cratera Haughton, em Nunavut (Canadá), com fragmentos de proteínas preservados por cerca de 24 milhões de anos. Outro conjunto importante foi recuperado da região de Turkana, no norte do Quênia, onde fósseis de até 18 milhões de anos também continham peptídeos em bom estado de conservação.

Nova luz sobre a árvore da vida

As proteínas sequenciadas ajudam a traçar relações evolutivas entre espécies extintas e seus descendentes vivos.

Segundo Ryan Sinclair Paterson, do Globe Institute da Universidade de Copenhague, os dados moleculares permitem reposicionar espécies na árvore da vida com maior precisão, mesmo na ausência de DNA preservado.

A resistência maior das proteínas, em comparação ao DNA, amplia significativamente o intervalo de tempo que os cientistas podem explorar.

Surpresa no calor africano

A conservação de proteínas no clima árido e quente da Bacia de Turkana surpreendeu os especialistas. “Esperávamos isso do Ártico, mas encontrar proteínas preservadas no Quênia foi inesperado”, afirmou Daniel Green, biólogo da Universidade de Harvard.

A explicação pode estar na estrutura dos dentes, o esmalte, mineralizado e extremamente resistente, atua como uma cápsula natural, protegendo os fragmentos proteicos por milhões de anos.

As proteínas estudadas foram extraídas do esmalte dentário, uma das estruturas mais duras do corpo. Elas desempenham papel fundamental na formação dos dentes e, por serem codificadas pelo DNA, suas sequências também revelam informações como parentesco evolutivo e até sexo biológico dos espécimes.

Implicações para o estudo da linhagem humana

A região de Turkana, conhecida por seu rico acervo fóssil de hominíneos, ancestrais extintos da linhagem humana, é uma área de alto interesse científico. A detecção de proteínas em fósseis da região amplia o potencial para estudos moleculares em nossos próprios ancestrais.

Timothy Cleland, coautor do estudo e pesquisador do Smithsonian Museum Conservation Institute, considera os resultados promissores para futuras análises de proteínas dentárias de hominíneos.

Caminho aberto para investigar até os dinossauros?

Apesar de as proteínas analisadas até o momento pertencerem a mamíferos que viveram após a extinção dos dinossauros, os cientistas não descartam a possibilidade de que, com tecnologias mais avançadas, seja possível encontrar fragmentos proteicos ainda mais antigos, talvez até da era mesozóica.

Com esses achados, os cientistas expandem em até 20 milhões de anos o recorde anterior de proteínas preservadas com qualidade para análise evolutiva.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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