Uma pesquisa de grande alcance sobre a coleta seletiva no Brasil revelou que os motivos para separar resíduos recicláveis variam conforme idade, renda e escolaridade. O estudo, com 4.419 participantes de 11 municípios em diferentes regiões do país, mostrou que os jovens priorizam a preservação ambiental, enquanto idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade tendem a valorizar os impactos sociais da reciclagem, como a geração de renda e a limpeza urbana.
A iniciativa é do Instituto Recicleiros, em parceria com o Neper/USP e apoio da empresa SIG. Os dados, apresentados no Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental de 2025, representam mais de 670 mil brasileiros de cidades atendidas pelo Programa Recicleiros Cidades.
Reciclagem no Brasil
Motivações gerais
- 50,8%: reciclam para proteger o meio ambiente
- 17,7%: apontam a limpeza urbana como principal motivação
- 14,1%: destacam a recuperação de materiais
- 11,5%: citam a geração de renda para catadores
Influência da idade
- Jovens (18 a 25 anos): 56,1% motivados por questões ambientais
- Idosos (mais de 83 anos): 28,6% indicam o meio ambiente como prioridade; 28,6% valorizam a limpeza urbana; 22,9% mencionam a renda de catadores
Influência da renda
- Renda entre 12 e 20 salários mínimos: 60% reciclam por preocupação ambiental
- Renda de até 1 salário mínimo: 43,8% motivados pelo meio ambiente; 22,6% citam a limpeza urbana; 14,7% indicam a geração de renda como motivação
Influência da escolaridade
- Pós-graduados: 59,2% citam o meio ambiente; 3,9% mencionam geração de renda para catadores
- Sem instrução: 33,7% motivados por questões ambientais; 31,7% valorizam a limpeza urbana; 18,3% destacam o fator econômico
Influência da localização geográfica
- Não há padrão regional fixo
- Três Rios (RJ): maior número de pessoas que não souberam ou não quiseram responder
- Guaxupé (MG) e Piracaia (SP): destaque para a motivação ambiental na reciclagem
A principal conclusão dos pesquisadores é clara: para avançar na coleta seletiva, o Brasil precisa investir em políticas públicas mais sintonizadas com os perfis sociais e culturais de cada comunidade, fortalecendo a educação ambiental e promovendo uma economia circular mais inclusiva.






