Mesmo com o aumento do interesse por outros ativos, como criptomoedas e pedras preciosas, o ouro continua sendo uma das reservas de valor mais estáveis e confiáveis do mercado global, ficando em alta nos últimos tempos por conta das frequentes incertezas com o dólar.
Logo, de pequenos investidores a grandes bancos, existem muitos interessados em participar deste mercado, sem saber que a alta procura está entre as principais causas de sanguinários conflitos que assolam o continente africano.
Apesar de seu potencial para impulsionar economias e transformar países como Senegal, Guiné e Ruanda em grandes exportadores, o ouro também tem sido utilizado para financiar guerras entre governos locais e grupos jihadistas ligados à al-Qaeda e ao Estado Islâmico. Além disso, entidades como a Human Rights Watch (HRW) ainda acusa representantes de países como Mali e Burkina Faso de cometer atrocidades contra civis, incluindo assassinatos e tortura, através de perigosas milícias.
Ou seja, ao invés de destinar os recursos arrecadados com a exportação do metal precioso à população, governantes vem optado por fortalecer grupos armados, os quais utilizam para seus próprios interesses. E vale destacar que, o aumento do preço do ouro, influenciado pela corrida global pode intensificar ainda mais os conflitos.
Trabalhadores em minas de ouro são desvalorizados
Em entrevista ao portal BBC, um minerador de ouro da região de Kidal, no norte do Mali, que pediu para não ser identificado, relatou que este aumento na valorização do ouro não fez a menor diferença em seus ganhos.
De acordo com ele, em um “dia bom”, é possível faturar cerca de 10 mil e 20 mil francos CFA, que corresponde a cerca de R$ 98 a R$ 196. Já o verdadeiro lucro acaba ficando restrito ao dono da mina.
Infelizmente, a falta de padrões éticos unificados e a dificuldade de rastrear as origens de uma pepita de ouro torna praticamente impossível conectar o metal a possíveis zonas de conflito. Desta forma, não há, por ora, uma previsão concreta para o fim deste problema.






