O universo dos cosméticos movimenta bilhões e está cada vez mais interligado ao marketing de influenciadores. Uma das maiores figuras desse setor no Brasil é Virginia Fonseca, que transformou sua imagem em marca e lançou diversos produtos sob o selo Wepink.
No entanto, um caso recente envolvendo um item da empresa reacendeu o debate sobre responsabilidade, segurança e os limites da influência digital.
O relato que chocou as redes
Lidiane Herculano, moradora de Nova Iguaçu (RJ), divulgou um vídeo emocionante onde conta ter ficado temporariamente cega após usar um fortalecedor de cílios da Wepink.
Segundo ela, tudo começou com uma ardência leve, que foi inicialmente ignorada. Horas depois, sua visão ficou nublada. Mesmo assim, Lidiane seguiu sua rotina, até que, incentivada por colegas de trabalho, buscou ajuda médica.
O diagnóstico: queimadura de córneas. A situação evoluiu para fortes dores, lacrimejamento intenso e a completa incapacidade de abrir os olhos. Ela foi encaminhada a um hospital especializado em oftalmologia, onde o tratamento com diversos colírios foi iniciado.
A dor, segundo suas palavras, era comparável a ter “giletes nos olhos”.
A repercussão nas redes
O caso rapidamente viralizou. O filho da vítima, Otávio Lopes, usou o X (antigo Twitter) para relatar o sofrimento da mãe e atualizações do estado de saúde. “Pela ajuda de Deus e dos médicos, não foi pior”, escreveu.
Otávio também afirmou que a família está tomando as “medidas cabíveis” contra a empresa. A gravidade do episódio trouxe à tona uma importante reflexão sobre o papel dos consumidores, da indústria e da Justiça na proteção à saúde pública.
A resposta da marca Wepink
Procurada pela imprensa, a marca Wepink respondeu por meio de uma nota. A empresa informou que tentou contato com a cliente e solicitou o envio do produto supostamente causador do dano, para que fosse realizada uma perícia.
A defesa argumenta que a análise técnica é essencial para apurar a origem do problema. No entanto, segundo o comunicado, Lidiane teria recusado o envio inicialmente. A empresa afirmou que ainda aguarda a amostra para análise.
Influência ou responsabilidade?
O caso levanta uma discussão que vai muito além da experiência pessoal de uma consumidora. Virginia Fonseca é uma influenciadora com milhões de seguidores, especialmente entre jovens e mulheres. Sua imagem vende confiança e estilo de vida, e produtos que prometem transformar a autoestima.
A figura do influenciador, ainda pouco regulada pela legislação brasileira, hoje ocupa um papel central no consumo de bens, inclusive de cosméticos que entram diretamente em contato com a pele e os olhos.
O problema é que a empolgação do público nem sempre vem acompanhada de informações suficientes sobre testes de segurança, certificações e eventuais reações adversas.
Consumidores devem ser orientados a sempre buscar informações sobre a procedência dos produtos que aplicam em suas peles e, principalmente, em áreas sensíveis como os olhos.
Já as empresas, e, por extensão, os influenciadores, precisam garantir que seus produtos não apenas ofereçam resultados estéticos, mas segurança real.
A investigação e os desdobramentos judiciais vão dizer se houve falha, mas a discussão pública já deixou claro que o impacto da influência digital vai muito além das redes sociais.





