Durante a pandemia, muitas pessoas redescobriram o prazer de fazer pão em casa, especialmente o pão de fermentação natural, um processo antigo e artesanal que contrasta com a produção rápida e industrial dos pães brancos encontrados em supermercados.
A quarentena fez com que muita gente começasse a preparar seu próprio pão, buscando um alimento mais saboroso e livre de conservantes e aditivos. O fermento natural, uma cultura viva de leveduras e bactérias, virou o protagonista dessa redescoberta.
Mesmo sem métodos rigorosos, os pães caseiros ganharam destaque pela qualidade e sabor diferenciados.
O processo industrial
Criado no Reino Unido nos anos 1950 para acelerar a produção e baratear custos, esse método usa farinha de trigo com baixo teor de proteína, aditivos como emulsificantes, oxidantes e fermentos em alta velocidade.
Permite produção em larga escala, pães macios, volumosos e de armazenamento prolongado. O método tornou o pão branco industrial acessível, mas com perda significativa do valor nutricional original do trigo.
O que há dentro do pão branco industrial?
O pão branco industrial contém ingredientes ultraprocessados, como gorduras hidrogenadas, açúcar, conservantes e aditivos para melhorar textura e prazo de validade. Pode conter bromato de potássio, um agente considerado potencialmente carcinogênico.
Por conter muitos ingredientes “desconhecidos” ou químicos, é classificado como ultraprocessado, o que tem relação com problemas de saúde quando consumido em excesso.
Pão de fermentação natural
A fermentação lenta faz com que o pão leve até 36 horas para ficar pronto, permitindo que as bactérias do ácido láctico decomponham carboidratos complexos e proteínas, facilitando a digestão.
Esse processo reduz açúcares de difícil digestão que causam desconfortos intestinais, melhora a absorção de vitaminas e minerais do trigo e auxilia no controle do açúcar no sangue, além de alimentar a microbiota intestinal. Estudos indicam que pode proporcionar maior saciedade, reduzindo a fome depois de consumido.
Pão integral
Feito com todas as partes do grão, gérmen, pericarpo e endosperma, o pão integral é rico em fibras, vitaminas (E, folato), minerais (magnésio), proteínas e antioxidantes (polifenóis).
Ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas, câncer e auxilia no controle do peso. Ao contrário do pão branco, a digestão das fibras integrais ocorre de forma mais lenta, mantendo níveis de açúcar estáveis.
Novas pesquisas
Cientistas trabalham para desenvolver pães integrais que tenham sabor, textura e aparência semelhantes ao pão branco.
A incorporação de ingredientes nutritivos como ervilhas, feijão, cereais antigos (teff, sorgo, milheto) e sementes (quinoa) busca oferecer uma alternativa prática e mais nutritiva para consumidores que preferem o pão branco. O produto deve chegar ao mercado em alguns anos, trazendo um equilíbrio entre saúde e sabor.
O que escolher?
A decisão depende do tempo disponível, custo e preferência pessoal. Pão de fermentação natural caseiro é o mais saudável, porém demanda tempo e prática. Pães artesanais comerciais, especialmente os de fermentação natural com poucos ingredientes, são uma boa opção para quem não faz em casa.
Evite pães com longas listas de ingredientes, especialmente aqueles com nomes difíceis ou desconhecidos, são indicativos de ultraprocessamento. Sempre que possível, prefira pães integrais para garantir maior ingestão de fibras e nutrientes. Congelar o pão pode ajudar a manter a qualidade e evitar desperdícios.
Dicas para o consumidor
Leia sempre o rótulo: escolha pães com ingredientes simples, como farinha, água, sal e fermento natural ou biológico. Evite adição de açúcar, gorduras hidrogenadas, conservantes artificiais e emulsificantes.
Experimente diferentes tipos de pão integral e fermentado para encontrar o que mais agrada ao seu paladar e à sua saúde. Lembre-se que a alimentação saudável é um conjunto e não depende apenas do tipo de pão.





