A Amazon surpreendeu o mercado financeiro ao anunciar um lucro líquido de US$ 17 bilhões no primeiro trimestre de 2025, um salto de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com um crescimento de 9% nas vendas, a empresa reafirma sua força global, mas, junto aos bons resultados, veio uma decisão que desagradou parte do público com a descontinuação do Freevee, seu serviço gratuito de streaming com anúncios.
O Freevee deixará de existir até agosto de 2025. Disponível apenas nos Estados Unidos, a plataforma era uma alternativa acessível para quem não queria pagar pelo Prime Video, oferecendo séries, filmes e programas originais financiados por publicidade.
Agora, esse conteúdo será absorvido pelo Prime Video, movimento que a empresa classifica como uma tentativa de “simplificar a experiência do usuário”.
A promessa de integração
A Amazon justifica a decisão como estratégica, visando unificar sua oferta de conteúdo sob uma única marca mais forte: o Prime Video. No entanto, muitos usuários veem com desconfiança essa integração.
Em 2024, o Prime Video passou a exibir anúncios mesmo para assinantes pagantes, o que provocou reações negativas, críticas da imprensa e até uma ação coletiva nos Estados Unidos.
Para muitos, a mudança simboliza mais um passo na consolidação de um modelo de streaming que prioriza a rentabilidade em detrimento da experiência do usuário.
Apesar das críticas, a introdução de anúncios no Prime Video teve um impacto positivo no caixa da Amazon. A receita publicitária da empresa cresceu 17%, enquanto a de assinaturas aumentou 9%.
Esses números mostram que, mesmo com a insatisfação de parte dos consumidores, a estratégia está sendo bem-sucedida do ponto de vista financeiro, ao menos por enquanto.
Um mercado competitivo
O movimento da Amazon ocorre em um ambiente altamente competitivo. Plataformas gratuitas com suporte de anúncios, como PlutoTV, Tubi e Roku Channel, vêm crescendo e atraindo um público que busca entretenimento sem custo.
Ao encerrar o Freevee, a Amazon abre mão de uma parte desse mercado, apostando que sua força de marca e a integração ao Prime Video serão suficientes para manter e atrair usuários.
Consumidor entre fidelidade
Para os usuários fiéis ao ecossistema Amazon, especialmente nos EUA, a mudança pode gerar frustração. A proposta inicial de oferecer um serviço 100% gratuito com anúncios, sem exigir assinatura Prime, atendia a um perfil importante do público: aquele que consome conteúdo de forma casual e com restrições orçamentárias.
Agora, mesmo os conteúdos “gratuitos” estarão sob a bandeira do Prime, que exige cadastro e, na maioria dos casos, pagamento. A sensação para muitos é de perda de uma liberdade de escolha.
É inegável que a Amazon está mirando o futuro, mais receita, maior eficiência e um portfólio de mídia concentrado. Para o consumidor, o desafio será equilibrar conveniência, preço e controle sobre o que assiste, algo cada vez mais raro num cenário de plataformas cada vez mais parecidas e centralizadas.





