A volta do horário de verão voltou ao centro do debate energético nacional, mas, desta vez, por uma razão inesperada.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) defendeu a retomada da medida, não com o tradicional argumento de economia no consumo, mas como estratégia para ampliar o uso de fontes renováveis, como a energia eólica, e reduzir a dependência de usinas termelétricas, conhecidas por seu alto custo e impacto ambiental.
A proposta surge em um momento de alerta: o país pode enfrentar dificuldades para atender à demanda nos horários de pico, especialmente durante o período seco.
Horário de verão é defendido pela ONS por motivo surpreendente
O horário de verão, historicamente, foi adotado para economizar energia ao estender a luz natural durante as tardes. A medida começou a ser aplicada regularmente em 1985 e consistia em adiantar os relógios em uma hora entre outubro e fevereiro.
Com mais claridade no início da noite, esperava-se uma redução na utilização de energia elétrica, especialmente em iluminação, gerando uma economia no consumo.
No entanto, a eficácia da medida foi sendo questionada ao longo dos anos. O avanço da tecnologia, como o uso crescente de aparelhos com consumo constante, e mudanças nos hábitos de consumo fizeram com que o impacto econômico se tornasse cada vez menor.
Em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, o horário de verão foi suspenso com o argumento de que já não trazia benefícios significativos, relativos a economia, à matriz energética brasileira.
ONS defende volta do horário de verão para aumentar a produção de energia solar, mais limpa e barata
Agora, a discussão ressurge com outra perspectiva. Segundo o ONS, o maior desafio não é mais economizar energia, mas garantir potência no fim do dia.
Isso porque a geração solar — que hoje representa uma parcela crescente da matriz elétrica — desaparece com o pôr do sol, exatamente quando o consumo de energia sobe. Já a energia eólica, que ganha força durante a madrugada, ainda não está disponível nesse momento de pico.
Esse descompasso exige, no início da noite, quando há maior uso de energia, o acionamento das usinas térmicas, que são mais caras e poluentes.
Com o horário de verão, o pico de consumo, que geralmente ocorre entre 18h e 22h, seria deslocado para um momento em que ainda há geração solar, reduzindo a necessidade das térmicas.
Contudo, é muito importante destacar que, apesar da recomendação técnica do ONS, nenhuma decisão oficial foi tomada até agora.
O governo federal informou que a medida segue em análise e que a definição sobre o possível retorno do horário de verão caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, possivelmente entre agosto e setembro.





