O cajueiro centenário de Pirangi, localizado em Parnamirim, na Grande Natal, é reconhecido como o maior cajueiro do mundo. Com 136 anos de existência e uma extensão de cerca de 10 mil metros quadrados, ele se tornou um marco turístico e ambiental do Rio Grande do Norte.
Seus galhos se espalham sobre ruas, casas e estabelecimentos comerciais, formando uma verdadeira floresta em miniatura que encanta visitantes e moradores.
A singularidade dessa árvore está no fato de que muitos de seus galhos tocam o chão e criam raízes, um processo natural que permite seu rejuvenescimento e prolonga sua vida, o que a diferencia dos cajueiros comuns.
A decisão judicial
Em 2024, atendendo a pedidos de moradores e comerciantes da região, a Justiça determinou a realização de uma poda para controlar o crescimento dos galhos que invadem áreas urbanas, como ruas e imóveis particulares.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Estado (Idema) está encarregado da execução dessa medida, com um investimento previsto de R$ 200 mil, e o trabalho poderá se estender por até seis meses.
O processo já foi discutido em audiências públicas na Câmara Municipal de Parnamirim, onde técnicos e a comunidade debateram a melhor forma de conduzir a intervenção.
A defesa da poda como ato de preservação
Os defensores da poda, entre eles o diretor técnico do Idema, argumentam que a árvore nunca passou por uma poda estrutural, apenas por cortes higiênicos para controle de pragas, e que essa medida agora é essencial para garantir a saúde e a segurança do cajueiro.
Eles ressaltam que a poda vai prevenir acidentes causados por galhos que avançam sobre vias e residências, evitando danos a veículos e pessoas.
O engenheiro agrônomo Marcelo Gurgel destaca que podas são práticas comuns em cajueiros comerciais e que, quando realizadas com cuidado e técnicas apropriadas, fortalecem a planta ao evitar o ataque de fungos, bactérias e outros agentes nocivos.
Os riscos e preocupações dos críticos da poda
Por outro lado, especialistas como a bióloga Mica Carboni e moradores locais expressam preocupação com o impacto que a poda pode causar no maior cajueiro do mundo.
Eles defendem que o crescimento dos galhos que tocam o solo e formam raízes é o que mantém a árvore vigorosa e jovem, mesmo após mais de um século de vida. A retirada de galhos pode limitar esse processo natural, acelerar o envelhecimento da planta e até levar à sua morte.
Para os críticos, a tentativa de “domar” o tamanho da árvore para adequá-la ao espaço urbano pode resultar em uma catástrofe ambiental e cultural, pois o cajueiro é único e deve ser respeitado em sua extensão natural.
O caminho a seguir e a importância do monitoramento
Após as audiências e a elaboração do parecer técnico, o Idema enviará a recomendação final à Justiça para definir a extensão da poda. O processo, que será acompanhado por profissionais especializados, deverá incluir o uso de técnicas para evitar infecções e permitir a recuperação da planta.
Além disso, é fundamental que haja um monitoramento contínuo após a poda para avaliar a saúde do cajueiro e assegurar sua longevidade. A participação da comunidade durante todo o processo será fundamental para que as decisões atendam às necessidades locais sem comprometer o símbolo do cartão postal.
Somente com um olhar cuidadoso e colaborativo será possível garantir que essa árvore centenária continue a crescer, frutificar e encantar por muitas gerações.






