Duas mortes de bebês com apenas alguns meses de vida por meningite em Belo Horizonte, registradas até o início de julho de 2025, acenderam um sinal de alerta entre autoridades de saúde e especialistas.
Os casos reforçam a urgência da vacinação como principal ferramenta de prevenção contra a doença, especialmente entre os mais vulneráveis: recém-nascidos e crianças pequenas.
Bebês com meses de nascimento morrem após contrair meningite
Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), os óbitos ocorreram antes de julho e fazem parte de um cenário preocupante.
Ao todo, 96 pessoas foram diagnosticadas com meningite na capital mineira nos primeiros seis meses e meio do ano. Dessas, 14 não resistiram à doença — incluindo os dois bebês.
O número já representa mais da metade das mortes registradas ao longo de 2024, quando 23 pessoas morreram entre os 155 casos notificados. Em 2023, os registros foram semelhantes: 18 mortes e 154 casos confirmados.
A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por bactérias, vírus e, mais raramente, por fungos.
Os sintomas aparecem rapidamente e incluem febre alta, rigidez na nuca, vômitos e sonolência excessiva, podendo evoluir de forma grave em poucas horas, especialmente em crianças pequenas.
A forma bacteriana é a mais letal, porém também é, em muitos casos, evitável por meio da vacinação.
Vacinação evita mortes por meningite na maioria dos casos
As autoridades de saúde alertam que nem todos os tipos de meningite possuem imunização disponível, mas destacam a importância de aplicar todas as vacinas previstas no calendário infantil.
A cobertura vacinal em Minas Gerais, no entanto, segue abaixo da meta. Até março deste ano, apenas 86,96% dos bebês menores de 1 ano haviam recebido a vacina meningocócica C, índice inferior aos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde.
Em Belo Horizonte, onde os dois bebês morreram, esse percentual foi ainda menor: 76,04%.
Para tentar reverter esse cenário, a capital mineira tem intensificado ações de imunização, como a aplicação de vacinas diretamente em escolas de educação infantil.
A partir de julho, o Ministério da Saúde também passou a oferecer a vacina meningocócica ACWY como reforço para crianças de 12 meses.
Além da vacinação, a orientação é evitar aglomerações em períodos de maior circulação de vírus — como outono e inverno —, manter ambientes ventilados e procurar atendimento médico imediato ao surgirem sintomas suspeitos.






