A perda de apetite em idosos, frequentemente denominada “anorexia do envelhecimento”, atinge entre 15% e 30% das pessoas com mais de 65 anos, chegando a superar 30% em ambientes de longa permanência, conforme evidenciado em estudos divulgados de 2010 e nas diretrizes da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN), publicadas em 2019 na revista Clinical Nutrition.
Essa condição é resultado de uma série de mudanças fisiológicas, incluindo a redução dos sentidos do paladar e do olfato, que afeta até metade da população idosa, a diminuição da produção de saliva, observada em aproximadamente 30% dos idosos, e o retardamento do esvaziamento gástrico, fatores amplamente discutidos em artigo publicado na Best Practice & Research Clinical Gastroenterology em 2019.
Idosos sem fome
A perda de apetite em idosos pode ser agravada por fatores psicológicos, como depressão e isolamento social, além do uso frequente de múltiplos medicamentos. Essas condições combinadas contribuem para reduzir o interesse pela alimentação, tornando mais difícil manter uma nutrição adequada.
A consequência desse quadro é a desnutrição, que afeta a saúde geral do idoso, provocando perda de massa muscular, fragilidade física e maior propensão a quedas. Esses fatores aumentam o risco de complicações graves e comprometem a independência do indivíduo.
Além disso, a diminuição do apetite faz com que muitos idosos consumam menos proteínas, fibras, frutas e vegetais do que o necessário, agravando a perda muscular e favorecendo problemas ósseos. Essa combinação prejudica a funcionalidade e a qualidade de vida, reforçando a necessidade de atenção e cuidados específicos.
Como contornar essa condição
Especialistas indicam abordagens combinadas para aumentar o apetite e evitar consequências negativas, incluindo a promoção de atividades físicas regulares, a criação de ambientes sociais acolhedores durante as refeições, a melhoria do sabor e da apresentação dos alimentos, além do oferecimento de suporte nutricional personalizado, conforme orientações da ESPEN e pesquisas recentes na área da geriatria.
Por isso, a diminuição do apetite em idosos deve ser encarada como um sinal clínico relevante, que requer atenção e intervenção especializada para garantir a manutenção da saúde e da qualidade de vida nessa faixa etária.





